quinta-feira, fevereiro 22, 2018

"OS DOIS IGUAL A UNHA COM CARNE!"

Dizem as novas lideranças do PSD, e seus apoiantes, que iremos assistir a um regresso da “Social Democracia” dentro do partido.
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Não sei bem o que representa ao certo, o termo “social democracia”, mas sei bem o que representa o termo “regresso”. E sendo um regresso a algo, só podemos presumir que estão a falar de algo do passado. Ou seja, um regresso ao passado do PSD, por oposição ou descontinuação do presente, ou do passado mais recente do PSD.
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Ora olhando para esse tal passado do PSD a que tão saudosamente aludem, só podem estar a falar de todo um passado de miseráveis governações, pejadas de corrupção, esquemas e malabarismos nas contas públicas, nas empresas públicas e demais organismos autónomos do Estado, na sua gestão como quintas do partido, nos enriquecimentos ilícitos e inexplicáveis, no esbulho de dinheiros públicos, regresso ao sistema das empresas e grupos do regime, das prateleiras dos boys, da repartição do bolo e dos assentos à mesa da gamela do OE com o PS, do cambão nas obras públicas, passando pelo regresso ao caciquismo, amiguismo e ao nepotismo.
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Só para mencionar algumas das práticas que reinavam e fizeram história no histórico passado, miserável quanto a mim, do PSD, ficando claro este fim de semana, que há por lá muitos que pretendem saudosamente regressar a esse passado.
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É normal, pois todo o passado produz sempre as suas viúvas e os seus órfãos, e o PSD, naturalmente tb não foge à regra.
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Dizem eles que é um regresso à “Social Democracia”. Termo utilizado para esconder o socialismo encapotado que quase sempre dominou uma enorme ala do PSD. Eu direi que é um regresso ao socialismo reinante dos últimos 43 anos, e da qual a governação de Passos Coelho, a espaços, foi uma mera excepção à regra, vigente desde 74.
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Mas numa coisa este PSD já começou a dar mostras da sua aproximação ao PS: na especial predileção por caciques, gente pouco recomendável, e por gente a braços com a justiça. Foi só um primeiro sinal mas é claramente um começo, e mais virão neste exacto sentido. Que ninguém duvide.
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Que os militantes do PSD tenham optado por seguir este caminho de regresso ao passado, eu até entendo. O PSD é um partido habituado ao poder, e não o tendo, gera-se entre as hostes, descontentamento, inquietude, sentimento de vazio profundo.
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E o vazio, em qualquer partido político, tende sempre a ser preenchido por aqueles que melhor fizerem sentir as hostes que têm a melhor solução e o caminho certo, para os levar de novo ao poder, independentemente da matriz da solução ou do caminho apontado.
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Não é foi por acaso que Ferreira Leite disse que se for preciso vender a alma ao diabo para poder regressar ao poder, que o faria sem a menor hesitação nem reservas algumas de consciência. Este pensamento, não existe só na cabeça dela mas sim na de muitos dentro do PSD.
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São poucos os militantes de princípios. O sentimento, a emoção, a tribo e a pertença, é geralmente o que prevalece.
Mas os militantes são somente uns poucos milhares, entre os milhões de eleitores ou simpatizantes do PSD, e em última instância quem decide eleições são estes eleitores. Não são os militantes partidários. Ainda que habitualmente e insistentemente, os militantes partidários, tendem a esquecer tal pormenor.
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O PSD é um partido democrático e a maioria dos seus militantes votou escolher este caminho. O caminho do socialismo, encapotado. Agora já cada vez menos encapotado. Mas escolheram, está escolhido. Estão no seu direito. Mas talvez seja chegado a hora de muitos dos eleitores do PSD começarem a colocar as seguintes questões
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1) Para quê ter então dois partidos socialistas?
2) Se querem virar à esquerda, para quê andarem sempre a contar e a precisar dos votos dos eleitores do centro direita e direita democrática?
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Não se iludam pois com a frase “regresso à social democracia”. Não passa de um embuste e uma falácia. A dita Social Democracia, em Portugal, e no PSD em particular, nunca passou de uma forma de iludir e enganar o povo. Sempre que nos disseram que nos estavam a dar Social Democracia, o que recebemos deles foi mais Estado Estatismo e Funcionalismo, mais caciquismo, mais nepotismo, mais esbulho, mais buracos na Caixa Geral de Depósitos e em todas as empresas públicas, e mais impostos para pagarmos as facturas acrescidas de tudo isto.
E fizeram-no sempre com a desculpa que era para bem do povo e para servir melhor o povo, acabando o povo sempre e cada vez mais mal servido e cada vez mais escravizado a ter que servir aqueles que nos deviam estar servir.
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Tem sido sempre assim, uma e outra vez. E sempre vamos caindo na vã e doce ilusão que agora será diferente. Não vai ser diferente. Nunca nenhum regresso ao passado pode trazer-nos algo diferente. Só nos pode trazer algo igual, ou ainda pior.
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Estamos claramente perante um caso em que tudo cheira, tresanda, parece, tem o aspecto, tem o formato a consistência e apresenta todos os sinais de socialismo, com a inerente corrupção, amiguismo, nepotismo, caciquismo, cambalacho esquemas, e chico-espertismo que lhe está associado.
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Mas apesar de todas as evidências, ainda têm a lata de negar, e prometer uma coisa enquanto vão praticando o seu contrário. E o mais trágico, é que muitos de nós, mesmo face às evidências, escolhem acreditar. A condição humana tem destas coisas.
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Quem é de Direita e Centro Direita, já foi muita vez enganado pelo PSD. A tal condição humana, que nos condiciona e nos faz acreditar e alimentar a esperança. Mas agora não poderão mais dizer que estão a ser enganados. Desta vez, só irá cair quem quer, pois este PSD já disse claramente ao que vem e o que quer. O tal “regresso ao passado”. E o passado é conhecido. Existe, e está lá para poder ser consultado. Não percam tempo a imaginar e a tentar ver algo que não existe. É isto assim, simples e nada mais.
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E não, não venham alegar na escolha de um mal menor, ou na ausência de opções. Ha sempre opções. Nem que seja recusar fazer opções.
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Mas vender a alma ao diabo, ou engolir caciques, corruptos e Fragas, e trilhar um caminho com mais umas doses de socialismo, para mim, não é, não irá ser nunca uma opção. É um caminho, é certo, mas vão trilhá-lo sem mim.
Pensem bem nisso.
Rui Mendes Ferreira

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