O croquete mata mesmo
23 Janeiro, 2018

Ah, o doce sabor das férias, longe do reboliço desta cidade que
nos sufoca com turistas e veículos à estonteante velocidade de 45 km/h e
tuk-tuks que se vêm a nós entre uma paragem e outra.
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Estás feliz por
finalmente termos umas férias só nós os dois, sem as crianças, querida?
Crianças! Vês como ainda me custa aceitar que cresceram, que já não são
crianças? Até a Joana, a pequenina, que daqui a um mês já terá idade
para mudar de sexo e daqui a dois anos está a poder tirar a carta de
condução…
.
Sempre achei que o Pedro ia longe, desde pequenino. Estou tão
orgulhoso dele, com o negócio de medicamentos para enjoos que montou na
varanda… Mas vai saber bem estarmos sem eles estes dias, não vai? Olha,
vamos entrar agora numa zona de pinhal de sobreiros, presta atenção.
.
Sinto-me um bocado esquisito… Não sei… É uma dor que estou a
sentir, não sei se é cansaço… Ai… O meu braço… Ai… Ai… O peito… Acho que
estou a ter um enfarte. Vou parar. Liga para a ambulância…
.
Ela tentou ligar, mas os inibidores de rede móvel do Costa
são mais eficazes do que os métodos de evacuar pessoas em incêndios de
grande proporções. Morreu. Ao menos, morreu tranquilo, não foi
assassinado pelo maldito kit mãos-livres que tantas mortes rodoviárias
causa.
.
A autópsia revelou que foi mesmo um enfarte. De certeza, consequência
de tantas viagens exóticas a bares de hospital para comer croquetes.
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