. O roubo do século
Por: João César das Neves
Algumas acções, mesmo pontuais e menores, ficam na
história só pelo supino grau de infâmia envolvido. O facto de serem praticadas
no meio de uma catástrofe tornam-nas compreensíveis, mas ainda mais
desprezíveis.
A Associação Mutualista Montepio Geral é uma prestigiada
e meritória cooperativa com 177 anos de história, cujo principal activo é a
Caixa Económica, um dos mais antigos bancos portugueses. Apesar de pertencer à
economia social, o Montepio não é uma entidade de benemerência, dedicando-se à
legítima defesa dos interesses dos associados. Nas últimas décadas essa Caixa
envolveu-se em operações arriscadas e problemáticas, situação paralela a outros
desastres bancários, aliás, até com nomes repetidos. Agora está envolvida em
processos judiciais, intervenções do Banco de Portugal e fortes prejuízos.
São três as particularidades deste caso. A primeira é a
dimensão da perda. Em cálculos despretensiosos, mas sugestivos, os prejuízos
actualizados e acumulados de 2009 a 2016 representam quase metade do capital
médio da instituição no período. Este valor só é ultrapassado, entre os bancos
sobreviventes, pela Caixa Geral de Depósitos. A segunda diferença é o facto de
ser o único que ainda permanece debaixo da influência dos mesmos dirigentes que
geraram a derrocada.
Esta descrição chega para mostrar algo bem sabido na
praça: o Montepio constitui dos problemas mais tóxicos do sistema financeiro.
Não admira que esteja a perder sócios e liquidez. Desenrolam-se já os
estertores aflitivos, infelizmente familiares de casos anteriores. Mas, para lá
da questão bancária, surge uma terceira diferença, ainda mais assustadora: como
os donos do banco não são ricos mas mais de 600 mil associados da cooperativa,
dependentes dela para pensões, saúde, etc., existe em potência uma larguíssima
devastação social, sem par na crise recente.
Foi aqui que o senhor ministro do Trabalho, da
Solidariedade e da Segurança Social teve uma ideia, não para resolver a questão
mas empurrá-la para depois das eleições: pegar em todo o dinheiro disponível na
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) e investi-lo no Montepio.
Do lado da tragédia em crescimento, o plano parece um ovo
de Colombo. Vista do outro lado, é o maior conto do vigário da actualidade.
Nenhum investidor sensato colocaria todo o seu capital líquido numa única
entidade, mesmo saudável. Se essa empresa fosse frágil, teria de ser louco,
mesmo que o preço fosse justo. Se, pior de tudo, a entidade que se prepara para
fazer precisamente este monstruoso disparate financeiro for uma instituição
multissecular dedicada exclusivamente a socorrer os mais pobres, tal desafia a
imaginação de pessoas civilizadas. O projecto rivaliza facilmente com as
maiores aleivosias da nossa história.
Nos mais de 500 anos das Misericórdias a vida foi,
naturalmente atribulada, apesar de a generalidade dos historiadores sublinhar a
admiração universal pela sua acção, em Portugal e no Império. Também por isso,
sempre suscitaram invejas e cobiças, mas os maiores ataques foram três.
O
primeiro consumou a nacionalização da mais antiga e influente das irmandades, a
própria SCML, a 11 de Agosto de 1834 por decreto do regente, futuro rei D.
Pedro IV, situação que se mantém. O segundo foi a extinção de todas as
Misericórdias, pelo decreto-lei n.º 618/75 de 11 de Novembro, do governo Vasco
Gonçalves. Essa extinção viria a ser revogada pelo decreto-lei n.º 519-G2/79,
de 29 de Dezembro, mas permaneceria a captura pelo Estado de todos os seus
hospitais, determinada pelo decreto-lei n.º 704/74 de 7 de Dezembro e completada pelo diploma do ano seguinte. O
terceiro ataque é o actual. Deste modo, as Misericórdias foram defraudadas uma
vez por século, em cada um dos últimos três.
Existe uma diferença radical entre as intervenções. As
duas primeiras, se constituíram esbulho aberto e descarado, mantiveram as
instituições nos seus propósito e função originais. Jacobinos, maçons e
comunistas odeiam a Igreja, mas também querem ajudar os pobres, doentes e
necessitados. A operação que agora se prepara constitui de novo um saque, desta
vez mascarado de investimento, mas num campo totalmente alheio ao espírito e
compromisso das Misericórdias. O Estado, verdadeiro dono da SCML, precisa de resolver
um banco privado e não tem vergonha de sacrificar os pobres para protelar o
problema.
Os enormes prejuízos da banca têm sido todos, directa ou
indirectamente, resolvidos com o dinheiro dos contribuintes. Ultimamente surgiu
a necessidade de fingir que não é assim, mas os expedientes engenhosos usados
para criar a ilusão só têm servido para aumentar a despesa, sempre sobre os
mesmos contribuintes. Neste caso, que esperamos seja o último, a proposta é
adiar a solução uns tempos arrombando a caixa das esmolas. O simples facto de
esta ideia andar nas conversas das pessoas honestas e influentes da nossa
sociedade é suficiente para enlamear a geração.
Novo Banco emprestou
dois milhões ao PS
É fartar vilanagem. Aproveitem que o povo é SERENO, BURRO, ANALFABETO e ESTÚPIDO.
Com esta evidência, os socialistas equivalem-se a
insaciáveis. Já será de desconfiar sobre a capacidade
dos ditos cujos para governarem a coisa pública.
Ok, Marcelo veta as alterações à lei de financiamento dos partidos. Sendo imoral, ignominioso e imperdoável, ficaria pelo menos claro para todos o alívio que daria ao PS sobre a iminente
insolvência do partido. Os donativos dos dirigentes e os recentes
empréstimos do Novo Banco* não foram suficientes. Resta pois saber que outros meios subreptícios e dissimulados usará o PS em alternativa, pois o instinto de sobrevivência dos piolhosos não olha a meios nem a princípios éticos.
Toda esta história das isenções fiscais para os partidos políticos, justificações e comentários subsequentes evidencia que imposto é
roubo. Se me parece manifesto
o especial e particular
interesse do PS na nova versão do diploma, nenhum
dos
outros partidos e deputados
que promoveram
e aprovaram a proposta de alteração
têm menor culpa.
Por mim, apontei os nomes de todos.
Espero que haja forma de os responsabilizar pessoalmente. Um
a um. Não pode haver condescendência com a ladroagem,
ainda por cima praticada
de forma consciente.
* Novo Banco emprestou
dois milhões ao PS
Para obter o financiamento, Partido Socialista hipotecou 27 imóveis, os quais estão avaliados
em 1,1 milhões de euros e que apenas cobrem 55% do valor financiado.
O Novo Banco, antigo Banco Espírito Santo, emprestou
dois milhões de euros ao Partido Socialista. O contrato de financiamento foi assinado a 30 de Novembro. No mesmo dia, foi
celebrada uma escritura
de hipoteca de 27 imóveis
propriedade do partido, avaliados
em 1,1 milhões de euros, valor que cobre apenas 55% do montante financiado.
A escritura
de hipoteca foi celebrada
pelo notário Pedro Rodrigues
e foi assinada por Luís Patrão, antigo membro do secretariado nacional do PS e considerado como um dos homens de confiança
de António Costa para a organização interna do partido, e por Hugo Bento Pereira,
vogal do conselho
de administração da empresa Águas do Tejo Atlântico, na qualidade de procuradores do Partido Socialista. No documento, os socialistas constituíram a favor do Novo Banco uma hipoteca de 27 imóveis para garantir as obrigações de dois contratos
de financiamento: um de 500 mil euros e o segundo de 1,5 milhões de euros.
De acordo com o contrato
de financiamento, a finalidade do empréstimo de 1,5 milhões prende-se com "liquidação de responsabilidades
de apoio à tesouraria", ou seja será para liquidar outro crédito contraído. O prazo contrato é de 120 meses, com uma taxa indexada à Euribor
a 12 meses, acrescida de um spread de três pontos. Quanto ao financiamento de 500 mil euros, segundo os documentos, este resulta de uma alteração
a um contrato já existente entre o Novo Banco e o PS, o qual terá passado por um reforço do montante emprestado, assim
como
pela hipotecas de imóveis.
Pelo menos desde
2016 que o PS atravessa uma situação financeira complicada. Já este ano, na apresentação do Relatório
e Contas do partido relativo ao ano anterior,
Luís Patrão, num
texto colocado no site do PS, assinalava
que o partido tenha reduzido o "seu
passivo em 942 mil euros" e aumentado
"em 255 mil euros os capitais próprios", continuava
a "a apresentar um cenário preocupante em termos económico-financeiros".
Ainda assim, segundo o próprio Patrão,
as contas de 2016 já permitiam "antever um caminho positivo
para a resolução
progressiva desses problemas
"O plano de
liquidação ordenada
de dívida a fornecedores permitiu realizar uma significativa redução dos valores em
aberto, com o pagamento
de mais de 1,335 milhões de euros e o cumprimento de 27 planos de liquidação de dívida antiga, dos quais no fim
de 2017 restarão apenas 6 ainda por liquidar integralmente", reforçou o homem das contas socialistas.
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