Costa fala em “repercussão
internacional”. Como o caso Centeno está a ser visto lá fora
29/1/2018,
20:54
No momento em
que Costa falou de "repercussão internacional" do caso,
"apenas" a agência Reuters, a Bloomberg e a versão europeia do
Politico tinham dado relevância ao assunto.
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O caso
Centeno-Benfica ainda não chegou aos grandes títulos europeus. Mesmo estando em
causa o presidente do Eurogrupo, jornais como o Financial Times ou o Wall
Street Journal, por exemplo, não têm (não tinham esta segunda-feira ao início
da noite na edição online) uma única linha sobre o facto de Mário Centeno ter
sido investigado. Na primeira reação às buscas no Ministério das Finanças,
primeiro-ministro António Costa disse esta segunda-feira que o caso
“internacionalmente está a ter muita repercussão”.
.
Até ao momento, contam-se
notícias na agência Reuters, na Bloomberg e na edição europeia do
Politico. A publicação americana deu conta das buscas ao ministério das Finanças
num artigo publicado no sábado e noticiou
esta segunda-feira que Centeno
iria resignar caso fosse constituído arguido. Algo que Costa já veio desmentir.
.
Jornais
habitualmente mais atentos à realidade portuguesa, como os espanhóis El País ou
o El Mundo também não têm para já — nem nas suas edições em papel, nem online —
qualquer referência ao facto de Mário Centeno estar a ser investigado pelo
Ministério Público.
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A Reuters
noticiou no domingo que a “polícia fez buscas ao ministro das Finanças Mário Centeno
por causa dos bilhetes do Benfica”. Na mesma notícia, a agência citava a
porta-voz do ministério das Finanças para dizer que o ministério estava a
“colaborar com a investigação”, mas não podia dar mais “detalhes sobre o caso
por se encontrar em segredo de justiça”. Esta notícia já foi replicada em
alguns meios internacionais de pouco relevo.
.
Já a versão
europeia do Politico fez duas peças sobre o assunto. Na primeira,
publicada no sábado, o título afirma que “Polícia faz buscas no gabinete do
Eurogrupo Mário Centeno”, acrescentando que o ministro “está a cooperar com as
autoridades”. No segunda peça sobre o assunto, escreve que Mário Centeno está
“pronto para sair caso seja arguido no caso Benfica”. Nesse artigo era citada a
notícia do Correio da Manhã que dizia que
o ministro já tinha falado com António Costa. Esta segunda-feira, o
primeiro-ministro já veio desmentir esse eventual afastamento.
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Também no
último sábado, a Bloomberg fez uma notícia com apenas dois parágrafos a
noticiar que a Procuradoria-Geral da República confirmou ter feito buscas no
Ministério das Finanças.
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O caso até pode
vir a ter mais “repercussão internacional”, mas quando Costa falou nela, eram
poucas as publicações internacionais que tinham publicado notícias sobre o
assunto. Isso não quer dizer que não tenham chegado perguntas de órgãos
estrangeiros ao Governo português. Já depois de António Costa falar, a
Bloomberg voltou a escrever sobre o assunto, com uma notícia maior do que a de
sábado, dando conta que “o primeiro-ministro português, António Costa, mantém
plena confiança no ministro das Finanças Mário Centeno”.
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Entretanto, a
nível político ainda não há grande impacto do caso Centeno. No entanto, um
deputado holandês do CDA (partido democrata-cristão de centro-direita), Pieter
Omtzigt, utilizou o Twitter para questionar se haverá alguma declaração do
Eurogrupo sobre o assunto. E questiona ainda: “Então, como o Eurogrupo (que
deve lutar contra a evasão fiscal) lida com o fato de ter havido buscas ao
escritório do presidente do Eurogrupo num caso provavelmente relacionado com a
evasão fiscal?”

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