Ex-presidente de IPSS dos Açores ganhava mais de quatro mil euros/mês
09:14
por Alexandra Pedro e Carlos Rodrigues Lima
Auditoria de Fevereiro de 2016 da
Secretaria Regional de Saúde censurou ordenado de Suzete Frias. Ainda
assim, em Novembro daquele ano, o governo regional, liderado por Vasco
Cordeiro, nomeou-a directora regional para a Prevenção e Combate às
Dependências
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O PSD/Açores vai insistir, esta quarta feira no Parlamento Regional,
com a demissão da Directora Regional para a Prevenção e Combate às
Dependências, Suzete Frias. Tudo porque, durante vários anos, a agora
directora regional foi presidente da Instituição de Solidariedade Social
"Arrisca", auferindo um ordenado de 4067 euros mensais. A nomeação
ocorreu em Novembro de 2016, numa altura em que o próprio governo
regional, liderado pelo socialista Vasco Cordeiro, já tinha na sua posse
um relatório de auditoria à "Arrisca", o qual censurou o ordenado da
presidente, considerando que o mesmo não poderia "ultrapassar o montante
máximo" estabelecido no Estatuto das IPSS: 1676 euros. Ou seja, uma
situação que em tudo se assemelha ao caso de Paula Brito e Costa, até há
bem pouco tempo presidente da Associação "Raríssimas."
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No mesmo documento, a que a SÁBADO
teve acesso, a equipa de auditoria acrescentou que, caso se mantivesse a
remuneração de Suzete Frias, não como presidente da associação, mas sim
como "técnica superiora psicóloga" e "coordenadora de projectos da
instituição", os montantes pagos pelo desempenho destas funções deveria
ser adequados aos "praticados na administração pública e mesmo no sector
privado".
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"Está em causa uma verba que excede largamente os
valores praticados, quer na administração pública, quer em IPSS, para
idênticas funções de técnico superior na área de psicologia. Quem gere
apoios públicos desta forma abusiva e em benefício pessoal, como fez a
dra. Suzete Frias enquanto presidente da Arrisca, não pode continuar a
merecer confiança política para administrar dinheiros públicos",
defendeu já o PSD/Açores,através de Mónica Seidi, numa nota enviada pelo
partido, no início do mês, às redacções. Para os sociais-democratas, o
presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro (PS), "premiou esta
utilização abusiva de dinheiros públicos" ao convidar Suzete Frias a
integrar o executivo em Novembro de 2016, "nove meses após tomar
conhecimento das denúncias feitas na referida auditoria", acusou ainda o
PSD, que esta quarta-feira vai questionar o governo regional, durante
um debate de urgência.
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Após as críticas do PSD/Açores, a
Associação reagiu em comunicado, afirmando que os dirigentes da
instituição, "os actuais e os do passado", e "designadamente" a anterior
presidente Suzete Frias, "sempre deram o melhor de si, com sacrifício
muitas das vezes das suas vidas pessoais, a favor dos desconsiderados e
excluídos da sociedade" açoriana.
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O relatório indica também que
são necessárias "auditorias financeiras regulares", "análise aos custos e
proveitos da Arrisca" e a "verificação de documentos originais de
despesa", justificando que "estes procedimentos de controlo permitem,
desde logo, garantir a eficiência e economia na utilização dos dinheiros
públicos, (...) bem como transmitir total transparência de verbas e
escolha dos parceiros ideais".
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Sabe-se que, em apenas três anos,
os acordos entre a Secretaria Regional da Saúde e a Arrisca atingiram
mais de um milhão e meio de euros - 524.212,00 euros em 2013, 492.000,00
euros em 2014 e mais 492.000,00 euros em 2015. Dinheiros públicos que
não terão sido auditados.
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A 10 de Agosto de 2015, a Inspecção
Regional da Saúde ordenou a abertura de um processo de auditoria à
associação açoriana. Desta investigação, levantaram-se questões
relacionadas com a constituição dos órgãos sociais da "Arrisca".
Nos estatutos refere-se que "os membros do[s] corpos sociais só podem
ser eleitos consecutivamente para dois mandatos para qualquer órgão da
associação, salvo se a assembleia geral reconhecer expressamente que é
impossível ou inconveniente proceder à sua substituição".
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No
entanto, pode ver-se nos quatros de composição dos órgãos sociais que há
vários membros que cumpriram um terceiro mandato consecutivo,
nomeadamente a presidente da associação Suzete Frias e a tesoureira
Paula Paiva (ver quadro em baixo). E, na acta data de 22 de Maio de
2013, não consta qualquer reconhecimento sobre a impossibilidade ou
inconveniência de "proceder à sua substituição".
A associação, actualmente presidida por Gil Sousa, tem como
missão promover a redução do consumo de substâncias pscioativas,
prevenir comportamentos de risco e trabalhar na reabilitação e
integração pessoal, familiar e cultural. "O público-alvo da
associação são cidadãos com idades superiores a doze anos, inclusive
famílias e envolvente comunitária no âmbito da reabilitação psicossocial
nas áreas de psiquiatria e saúde mental, alcoologia, toxicodependência,
sem-abrigo, criminalidade e outros em mobilidade geográfica que se
encontrem em situação de vulnerabilidade social grave, nomeadamente
cidadãos deportados", pode ler-se na página oficial da "Arrisca".


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