Demonstração da fórmula de como só com 2/3 poderemos sobreviver:
(está longo mas vale a pena…)
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Se
quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente
muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que
custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por
isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a
mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas
já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho.
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Sempre com
aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública
que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá
sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é
importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez
mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também
faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é
importante é que estamos no caminho certo.
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Não há dinheiro para
tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre
sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais
úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm
direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.
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Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.
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Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta.
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Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.
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Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta.
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Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes
crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós
não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os
pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não
tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode
atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a
justiça social.
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O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam.
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O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam.
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A chatice de não podermos eliminar os operários como aos
sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e,
para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote
em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com
que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira.
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Eles têm de ser
aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os
direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de
maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo:
medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no
meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os
anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e
assim.
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O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.
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Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portar-mo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."»
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O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.
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Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portar-mo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."»
Um terço é para morrer... no Público
José Vítor Malheiros (in Público<http://jornal.publico. pt/noticia/11-09-2012/o-sonho- de-pedro-passos-coelho- 25222371.htm>
de 2013/5/3)
José Vítor Malheiros (in Público<http://jornal.publico.
