Thursday, April 30, 2009

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - A OUTRA FACE DA DIPLOMACIA

Parte 34ª
Jardim de Portugal - Ilha de Riqueza
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Antes que dei-a início a esta parte a 34ª veio-me à memória uma conversa entre mim e o embaixador Tadeu Soares no seu gabinete. De quando me foi dada a representante do ICEP, procurei prover a sala, que me foi concedida pelo então chefe de missão embaixador Mesquita de Brito, com artigos tradicionais portugueses.
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Entre os vários estavam 4 vestidos vianenses, que o Director de Exportação da Sonae e meu amigo António Pedroso Lima, me ofereceu dois, genuínos e outros dois oferecidos a minha filha Maria que vestiu durante festas do traje na escola internacional que frequentou e por dois anos seria a vencedora pelo bonito vestido garrido com que se apresentou no concurso.
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Nos vários eventos comerciais e culturais que levei a cabo, em Banguecoque e Ayuthaya onde se contaram provas de vinhos e exibições em largas superfícies de apresentação de produtos tailandeses e estrangeiros.
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Por norma, antes de realizar qualquer evento, informava os chefes de missão o que iria apresentar. Contratava 4 jovens bonitas raparigas e apresentavam-se no pavilhão de Portugal vestidas à vianense e era um total sucesso,
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Trajes que por várias vezes foram emprestados para universidades tailandesas para as alunas mostrarem os trajes de vários países no mundo. Quando informei Tadeu Soares que 4 raparigas estariam no nosso pavilhão, no parque de exposições, BITEC vestidas à minhota, olhou-me com um certo desdém e diz-me, enjoadamente: “Portugal é conhecido no mundo com criadas de servir e motoristas!”
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Deixou-me surpreso, como ficaria, no futuro, com outras suas atitudes estranhas, que nunca estava de acordo com nada que eu projectasse. Absolutamente um homem estranho de tratos e atitudes. Mas continuando a história. As intenções de Tadeu Soares estavam bem determinadas para a sua permanência em Banguecoque.
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Teria, pois, de ter seus homens certos e deles a plena confiança e lhe transmitissem tudo que se passasse dentro da chancelaria.
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Alípio Monteiro e Nuno Mota Veiga com toda a sua força de poder que escondem perante os que na chancelaria exercem funções.
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Entre dois surgem uns pequenos embates e acontecem na aquisição de bens, o Veiga também pretendia entrar na “vaquinha” das compras e ainda penetrou nelas de quando adquiriu umas chapas, de um material, não especificada, revestido a alumínio, térmico, para a cobertura, interiormente do tecto, da chancelaria que foi totalmente removido, sem para tal haver a necessidade.
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Espinharam-se, uma vez, mas acomodaram-se. Aquele homem pequenino Mota Veiga, voltou num veneno e um tipo de recados, verdadeiros ou falsos para Tadeu Soares que se acomodavam os dois na Residência dos Embaixadores.
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O Alipio Monteiro, este era mais ou menos como o “cão” que não ladra mas morde pela calada. O pessoal que exercia funções na Chancelaria: o diplomata João Brito Câmara, o número dois, Melito Fernandes como vice-cônsul, o chanceler, tailandês, Chalerm e eu como secretário de 2ª classe e representante do ICEP.
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Antes de Tadeu Soares chegar a Banguecoque, na chancelaria a paz era absoluta, havia um óptimo relacionamento entre todos. Com a infiltração do Monteiro e do Veiga todo aquele relacionamento deteriorou-se e começa o meu inferno e do Dr. João Brito Câmara na chancelaria.
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Tadeu Soares volta agressivo para mim e para o Dr. Câmara e, de princípio, quando começamos a notar a agressividade do chefe de missão para com as nossas actividades, não entendemos que por detrás de tudo o que estava acontecer estava o Monteiro e o Veiga.
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É que eles os dois, no princípio, almoçavam junto a mim e ao Dr. Câmara e tudo que ouviam (mais de mim) em desabono às actividades de Tadeu Soares iam-lhe transmitir, mais mentiras que verdades que era uma forma de endurecer Tadeu, pelo menos contra mim e o que lhes fazia mais peso e bom que fosse despedido da função pública. Ficaria, pelo menos, o Monteiro mais à vontade.
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Mas quando eu e Dr. Câmara começamos a notar que esses dois cavalheiros estavam a conspirar contra nós deixamos de almoçar com eles. O que viria Tadeu Soares a dizer ao Dr. Câmara que seguia acompanhada de gente ruim, cuja essa ruindade era a minha pessoa!
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O Alípio Monteiro, que ninguém conhece o seu passado, além do que tinha informado a alguém (que não revelo o nome aqui) ter sido “espião” nos aviões da linha aérea nacional TAP, onde viajava para escutar quem dizia mal do regime de então do executivo, do Governo de António Oliveira Salazar.
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Em 25 de Junho de 1999, Tadeu Soares envia para a Secretaria de Estado dos Estrangeiros o telegrama nº 158, prioritário e dirigido à Direcção de Recursos Humanos:
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Contratação secretário eventual
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Adit. 144
Como é do conhecimento essa Secretaria de Estado esta Embaixada debate-se grave falta pessoal qualificada.
Existe contudo uma vaga de secretário 2ª classe, para cujo preenchimento pedi autorização abertura concurso.
A esse concurso entendo, só poderão concorrer funcionários quadro-secretários 3ª classe.
Surge-nos agora hipótese de contratar como eventual Sr. Alípio Monteiro, português, ex-funcionário da TAP que abandonou por se ter casado com uma senhora tailandesa.
Anteriormente exercia funções chefe serviços administrativos escritórios TAP na Suíça.
Trata-se oportunidade única obter colaborador com bom conhecimento português – e que facilmente poderá aprender contabilidade este posto.
Não obstante o reduzido salário oferecido, como se encontra sem trabalho mostrou-se disposto vir cooperar com esta Embaixada.
Rogo Vexa autorização proceder sua contratação como eventual como início partir 1 Julho corrente ano, bem como indicação salário a atribuir.
A) Tadeu Soares
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A Secretaria de Estado responde, em 29.06.99, ao telegrama 158 nos seguintes termos em comunicação de “rotina”:
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Informa-se Vexa foi autorizado contratação de elemento eventual com efeitos a 1 de Julho próximo. Em virtude nesta data se encontrarem processadas folhas salários 3º trimestre. Irá proceder-se às diligências necessárias no sentido salário referido elemento ser incluído em folha adicional mês de Julho.
Ass) NESTRANGEIRO
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No dia 6 de Agosto de 1999, já Alípio Monteiro a exercer funções na Embaixada, Tadeu Soares, pelo telegrama 218, à Direcção dos Recursos Humanos, informa:
Contratação de eventual
De acordo autorização recebida foi contratado como eventual para prestar serviço esta Embaixada, como início 1 de Julho, o Sr. Alípio Joaquim Augusto Monteiro cujo curriculum vitae segue por tlc. 70. A) Tadeu Soares.

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Como nota curiosa, na página nº2 do curriculum, o Monteiro só começou a trabalhar aos 31 anos e no ano de 1974, na Rodésia, como contabilista da TAP. Bem é que depois de 1974, já não há lugar para "bufos" nos aviões da TAP e da carreira de África e, necessário, que a TAP arrume o Monteiro para a Rodésia, onde não seria detectado pelo o novo regime imposto em Portugal. Depois desta data, o Monteiro, como um "judeu errante" nunca trabalhou em Portugal e andou de um lado para outro no mundo. e até por 7 anos (1981-1988) foi corrector da bolsa, em Vancouver, no Canadá.
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Tadeu Soares já tem a seu lado o primeiro “ponta de lança” mesmo com o ordenado de 700 dólares, americanos e que não tardaria a conceder-lhe, usando o tráfico de influências os privilégios que apenas têm direito os diplomatas perante o Governo do país onde estão acreditados.
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O Alípio Monteiro usufrui-os de mão beijada, pelo Tadeu Soares e eu, como funcionário do quadro do Ministério Estrangeiros e com 15 anos de embaixada nunca os estive, nem necessitava deles.
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E ainda, mais adiante o comprar um “jeep” topo de gama, “Pajero” à Embaixada de Israel que sua esposa tailandesa, conduziu durante 5 anos, com a matrícula CD.
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Em cima do Alípio Monteiro e conectado com o embaixador Tadeu Soares ainda há mais a descrever... Ficará para mais adiante e no decurso, do seguimento, de outras partes.
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Um calvário de ilegalidades, onde a Embaixada de Portugal em Banguecoque é uma propriedade de Tadeu Soares e não do Governo Português. Há que cortar, riscar e fazer “trinta por uma linha” e que se lixe o Secretário-Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
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O Alípio Monteiro (um doente convicto de febres provocadas pela crónica malária, contraída, em África), com faltas constantes por doença ou esta de “manhosice” já está de pedra e cal na Embaixada de Portugal.
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Depois deste funcionário, eventual, Tadeu Soares terá que encaixar o Nuno Mota Veiga, já sob o tecto da residência dos embaixadores e junto a ele. Tadeu Soares terá que dramatizar, para admitir o Veiga, junto da Secretaria de Estado.
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Vamos assistir a uma “macacada” de palavras malabaristas como Tadeu Soares vai apresentar o Veiga aos serviços centrais. Será preciso disfarçar que o Veiga está já protegido pelo Embaixador António Monteiro com quem Tadeu Soares trabalhou nas Nações Unidas em Nova Iorque antes de ser acreditado, como embaixador em Banguecoque.
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A Secção Consular tinha como vice-cônsul Melito Fernandes, português/goês (já noutras partes referido) que de contínuo da Secretaria de Estado, foi nomeado a Vice-Cônsul por decreto. Não tenha habilitações para ocupar tal cargo, mas lá foi desenrascando, durante uns dois anos que ocupou o lugar.
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Porém, só tarde é que na Secretaria de Estado descobriram que Melito Fernandes se tinha reformado, da função pública e entrou para o quadro dos assalariados e nomeado Vice-Cônsul. Era ilegal estar a receber por lado a reforma do Governo Português e um outro ordenado de Vice-Cônsul de 2.600 dólares (limpos e sem impostos) americanos.
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Um ofício chegou a Banguecoque e, embora não houvesse a ordem para o Melito ser exonerado, mas que não poderia estar a receber o ordenado de 2.600 dólares, mas apenas um terço que é o que a Lei confere aos reformados se continuarem a exercer funções depois de reformados.
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O Melito não aceitou ficar, partiu para Salsete (Goa) e por lá morreu, por acidente, uns meses depois de deixar Banguecoque. Com a saída do Vice-Cônsul Melito Tadeu Soares encontra o “buraco” certo para encaixar o Nuno Mota Veiga e que seja, o futuro, o Vice-Cônsul da Embaixada de Portugal em Banguecoque e seria nomeado por si!
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Tadeu Soares, diplomata calculista, o seu primeiro posto com a acreditação de embaixador em Banguecoque, fica inchado e um “reizinho” onde pensa que todo-poderoso pode cortar e riscar a seu prazer. Os funcionários que são da função pública que vão colherem urtigas e se fiquem a coçar com a comichão.
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Era o meu caso e o do Dr. João Brito Câmara. Em 24 de Agosto de 1999 Tadeu Soares expede o telegrama 251, dactilografado por mim, com uma lengalenga, insossa que quem a viria a ler entenderia que ali havia “golpe”.
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O texto: Vice-Cônsul Tailândia Como é do conhecimento serviço essa secretaria de Estado vice-cõnsul cessará funções no final mês de Agosto. Na Secção Consular ficará então um chanceler, tailandês de 71 anos, apoiado por contínuo da Embaixada. Nenhum deles fala português.
Antes que o longo e moroso processo de abertura de concurso e, espera-se, cuidadosamente escolha de um candidato tenha lugar, e necessário prover vaga por forma garantir atendimento público – quer tailandeses que vem solicitar vistos – quer portugueses, residentes ou de passagem, com mais diversos problemas. (Recordo que cerca 30 mil portugueses visitam anualmente esta cidade).
Com transferência administração Macau surge agora a possibilidade de contratar funcionários da administração local, ou quadros técnicos, bem preparados, com gosto de viver na Ásia e que não fazem da vinda para a Tailândia um sacrificou uma “comissão” de serviço obrigatória.
Julgo que haveria toda a vantagem aproveitar possibilidade que agora se deparam neste domínio, contratando desde já um eventual que poderia mais tarde apresentar-se concurso que nova legislação a ser preparada permita seu acesso.
Neste sentido proponho seja contratado como eventual, para cargo que ficará vago a partir final corrente mês, Sr. Nuno Mota Veiga Carvalho Alves, cujo curriculum vitae envio em anexo (tlc.79).
Arquitecto Nuno Mota Veiga trabalhou, em Macau, desde Maio de 96 até ao presente.
Pretende ficar na Ásia e o conhecimento que dele tenho permite-me considerá-lo como profundamente culto, conhecedor da presença portuguesa na Ásia que pretende melhor estudar, activo e dotado espírito de iniciativa e vontade de aprender que lhe permitiria assessorado pelo Chefe desta Embaixada e pelo Secretário proveniente dos Serviços Consulares, desempenhar funções referidas.
Solicito autorização para contratar como eventual Arq. Nuno Mota Veiga fim impedir Secção Consular esta Embaixada entre em ruptura, ou mais precisamente, encerre suas portas final corrente mês Agosto.
A) Tadeu Soares.





Em 27 de Agosto de 1999 chega a Banguecoque um fax com o seguinte texo: Ref.ª Telegrama 251 de 24.8.99
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Esclarece-se que o lugar de Vice-Cônsul não pode ser preenchido por elementos eventuais por se tratar de um lugar de nomeação.
A) NESTRANGEIROS.
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Tadeu Soares não desarma e envia outro telegrama, 270 de 30 de Agosto de 1999, para a secretaria de Estado:
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Assunto Vice-Cõnsul Tailândia.
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RTV 581. Compreendendo razões natureza legal impedem contratação eventual para desempenho funções cabiam Vice-Cônsul agora reforma.
Todavia, e conforme indiquei meu telegrama Secção Consular entra situação ruptura. Peço seja considerada a contratação de Arquitecto Mota Veiga por rubrica “aquisição serviços”. Vice-Cõnsul cessante ganhava 2.626 US dólares.
Julgo propor para esercício tais funções em regime aquisição serviços (soma 1.800 USD) a)Tadeu Soares.
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Porém a Secretaria não responde a Tadeu Soares e em 20 de Setembro de 1999, envia novo telegrama com número de 303 com o seguinte texto:
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Adt: 251 e 270 Secção Consular. Serviço Secção Consular deteriora-se rapidamente. Assegurado por um chanceler de 71 anos que não fala português e por contínuo com 3 meses de experiência e limitadas capacidades; assistido esporadicamente pelo Secretário da Embaixada, entre outros afazeres, e trazidos assuntos a atenção do signtário, quando atigem nível forma como são recolhidos e prcessadas receitas Estado, apreensão sobre confusão reinante tratamento documentos, apreensão mau nome que assim se cria e que demora longo tempo a repor.
Solicito autorização para contratar elemento qualificado por rubrica “aquisições serviços”.
Alernativa será encerrar Secção Consular, emitindo exclusivamente “Títulos de Viagem” para algum nacional que por aqui tenha perdido os seus documentos e pedindo Embaixadas país Shengen conceda vistos para o nosso país.
A) Tadeu Soares .
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Passado quatro dias, 24.09.99, chega um telegrama a Banguecoque com número 728 onde informava, friamente Tadeu Soares do seguinte:
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Referência 303. Será autorizada contratação solicitada. Observa-se, no entanto, a Vexa que hipótese encerramento Secção Consular não deveria, sequer, merecer menção em comunicações oficiais e que tarefas de Secretaria Embaixada deverão – como é norma geral – previlegiar e garantir cuidadosa gerência da mesma Secção.
A)Nestrangeiros
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Em 1 de Outubro de 1999, pelo fax nª2340 o Nuno Mota Veiga, depois de um longo processos, com “trampolinices” à mistura de Tadeu Soares é finalmente, admitido, na embaixada (não menciona a Secção Consular) com um ordenado de 1800 (quase três vezes mais o meu salráio na altura) USdólares americanos, por contrato a termo certo de três meses.
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Tem assim, colocados na Embaixada os seus dois “pontas de lança”, Alípio Monteiro e Nuno Mota Veiga. O Veiga já vivia com o Tadeu e exercia actividade na chancelaria e já por lá dava grandes problemas.
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Os maiores viria depois, nos três anos que se seguiriam!
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JARDIM DE PORTUGAL



Todos os contratos do Jardim de Portugal têm duração de 10 anos e termina no mês de Julho.
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O que tinha sido realizado com o Embaixador Castello-Branco em 1989 (nunca tive acesso a ele) terminou e Tadeu Soares teria que realizar outro. Abaixo transcrita a carta (em tradução livre) que enviou ao director Senhor Adisorn Charanachit.
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Banguecoque, Jul 16,1999 Khun Adisorn Charanachit Presidente Italthai Companhia Industrial Banguecoque Sr Adisorn,
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Foi um prazer conhecê-lo na última quarta-feira, quero agradecer-lhe o seu convite para o almoço e espero que V.Exa. vá encontrar tempo, disponível para me permitir retribuir-lhe numa ocasião breve.
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Como V.Exa. se deve lembrar durante a nossa reunião e almoço a mim me afloraram três diferentes temas, para V.Exa. considerar.
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O primeiro é o estabelecimento de uma “Sociedade de Amizade Portuguesa Tailandesa”.
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Este tipo de sociedades existem em muitos países e ajuda a reunir personalidades que contribuíram para a amizade entre os países. (Embaixadores, importantes empresários com interesse nas relações, antiga famílias ligadas aos dois países, etc.)
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No Japão, a sociedade foi sempre presidida pelo presidente da Mitsui. É uma posição honorífica como um Secretário-Executivo será também designado. Uma das verdadeiras tarefas e temos de lhe perguntar se V.Exa. se está disponível em estar presente no Dia Nacional Português para cumprimentar o Presidente de Portugal, o Primeiro-Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros, quando em visita oficial se deslocarem à Tailândia.
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Me daria um grande prazer se V.Exa. pudesse aceitar essa posição e o nosso convite.
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O segundo assunto discutido foi o de tê-lo como presidente da Comissão, para comemorar os 500 anos da chegada do Portugueses à Tailândia. Estou ciente de que esta data ainda está distante. Mas devemos começar a acumular energia para a ocasião.
(Não traduzimos um longo parágrafo dado que insere pessoas a quem entendemos não designar seus nomes)
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A terceira questão levantada durante a reunião estava presente o acordo entre Chao Phaya Development Corporation e Embaixada relativo à utilização do Jardim de Portugal.
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Expliquei a V.Exa em uma forma mais franca, todas as vantagens mútuas que surgem a partir desse acordo, mas também os receios que existem em alguns sectores do Ministério dos Negócios Estrangeiros Português em cima disso.
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Como lhe disse, eu acredito que tal acordo é benéfico dos dois lados. O que devemos fazer agora é mostrar de forma clara as vantagens mútuas. Para minhas observações V.Exa ter me respondido de uma forma muito generosa a oferta para a reparação do muro dividindo o jardim da Embaixada com o rio, e para melhorar a sua condição, a fim de proteger de forma eficaz o jardim de todos os possíveis infiltrações.
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Isso vai permitir-me a procedimentos com o plano restabelecimento da Embaixada e do edifício, chancelaria, sem a preocupação de inundações. No dia seguinte após a nossa conversa eu recebi uma visita de um grupo de técnicos de sua empresa e eles já estão estudando as soluções para os problemas existentes.
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Considero que V.Exa me oferece uma resposta apropriada às minhas preocupações e possíveis críticas. Como já referi, ao mesmo tempo que o acordo existente implica uma contribuição monetária.
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Actualmente a contribuição é exactamente E.U. 4 mil dólares por mês. Eu entendo que essa contribuição do hotel está directamente relacionada com os lucros e taxa de ocupação.
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Mas este montante representa, na realidade, inferior a 40 noites rendimento de um hotel que pode ter 24.000/nights um mês. (880 roomsX30nights). Mesmo que desça para 60% uma taxa de ocupação média como o hotel em Banguecoque reivindicações, que vai nos deixar com 14,400 noites.
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Para pagar o valor de 40 noites é obviamente insuficiente. Não quero entrar em muitos pormenores, mas penso que um aumento para o equivalente a 8 mil dólares por mês seria ainda um acordo justo.
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Como estou envolvido na extensa reconstrução e decoração programas, sugiro que esse aumento iria ter lugar no início deste ano para que os fundos suplementares permitirá que eu tenha a residência pronta para a visita de Sua Excelência o Presidente da República de Portugal em Dezembro próximo.
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Todas as outras cláusulas do acordo será mantido e, e seria o meu entendimento de que tal acordo sobre os termos actuais será válida por 10 anos.
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Esta carta é já uma longa, mas os assuntos tratados em que sejam de certa importância.
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Estou ansioso por ouvir uma resposta de vocês sobre a minha proposta e eu permanecer,
Atenciosamente
José Tadeu Soares
Embaixador
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José Martins
Continua
P.S. Nunca conspirei contra à legalidade dos factos, mas fui um conspirador, nato, contra as ilegalidades, às falsidades, ao tráfico de influências, ao abuso do poder, ao oportunismo e à mentira. Tive que ver e calar, porque se tivesse dado à "língua" as iras do poder viravam-se contra a mim...

Wednesday, April 22, 2009

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - A OUTRA FACE DA DIPLOMACIA

Parte 33
Jardim de Portugal - Ilha de Riqueza

Introdução: Como na parte anterior ainda não será nesta que entrará o "Jardim de Portugal-Ilha de Riqueza". Cada vez mais, que vou escrevendo, outras memórias me vão aflorando à cabeça que são a da história da passagem de um "Manga de Alpaca" nos "meandros da diplomacia".
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Nestes departamentos do Estado Português, muito coisa estranha acontece.
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Os favores, o tráfico de influências, a mentira o "zingaro-jogos" e a pouca lealdade para com os superiores na Secretaria de Estado dos Estrangeiros.
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A preservação dos interesses de quem as gere está acima dos do Estado e mais, ainda, aquilo que irei narrando através de outras partes.
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Evidentemente que será preciso ter coragem descrever aquilo que um ex-"manga de alpaca", que sou eu, trazer verdades a público de actos de uma classe que poucos sabem das suas actividades.
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Se outro, igual a mim o fizesse bem saberia que poderia sofrer as consequências de meter-se com uma diplomacia, arcaica, fedorenta, nepótica, indolente e dorminhoca.
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Estou à vontade para tudo o que for necessário aos 74 anos e três mêses.
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Embaixador Tadeu Soares depois de ter enviado para Secretaria de Estado o telegrama 83 de 30 de Abril de 1999, quatro dias depois de assumir a gerência, a dar conta das desgraças, inventadas na residência dos chefes de missão, a partir desta data e durante o final de sua comissão de serviço nunca mais as obras vão terminar na chancelaria, residência e no jardim.
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Tadeu Soares vinha premeditado para as obras que me deixavam certas dúvidas se nas obras não haveria interesses camuflados. Não havia contenção alguma no esbanjamento de dinheiros públicos, quer fosse mandar para o lixo e substituir por novo mobiliário, máquinas de escrever, antigas outro material que pertencia ao espólio da missão e que deveria ser guardado e exposto num pequeno museu, localmente, onde há muito lugar para ser instalado.
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Mas vamos continuar no projecto das obras. Tadeu Soares nunca me pediu, algo que fosse em cima da residência, do jardim, da chancelaria dado que era eu, desde 1984, o responsável pela manutenção do edifício e orientação de dois humildes trabalhadores, permanentes, já vindos do consulado do embaixador Mello Gouveia, que tudo reparavam desde os telefones da missão, à construção de muros e mesmo cortar a relva do Jardim.
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Comecei então a entender que não seria, eu, a pessoa que Tadeu Soares pretendia estar junto a ele e continuar a gerir o cuidado da manutenção da missão.
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Seria necessário colocar-me aparte de tudo e outro rumo fosse levado a cabo à sua maneira e com pessoal novo.
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Não sei se já teria lido a infamante carta escrita pelo embaixador Castello-Branco e guardada no cofre que viria contribuir para que eu fosse dado como um “filho da mãe” dentro da embaixada de Portugal de Banguecoque.
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No dia 10 de Maio de 1999, 14 dias depois de sua chegada a Banguecoque, envia dois telegramas para a Secretaria de Estado com os números 89 e 90.
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Tadeu Soares transmite a peregrinação que efectuou às habitações do pessoal da missão onde viviam 3 criados, 1 guarda, 1 motorista, 1 jardineiro, 1 continuo e a empregada de limpeza (pessoal que mandou, logo a seguir para o “olho da rua” sem justa causa!).
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Tadeu Soares bem a seu jeito, que ainda não lho conhecia, informa que estão profundamente degradadas, chovendo em todas as divisões, com remendos nas paredes, tecto que dão ao conjunto um ar de “bairro de lata”. É penoso, diz ainda, ver e embaraçoso que empregados Estado português estejam alojados tais condições.
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E Tadeu Soares, um autêntico almocreve das desgraças e um falso humanista muito preocupado com a penúria das degradadas habitações do pessoal, quando pouco depois manda-os para a rua, quando alguns com muitos anos de casa sem nunca se lhes ter apontado nada em desabono.
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Mas ainda no telegrama 89 vem à “baila” o problema de escoamento das águas , os charcos que se formavam, depois de alguns minutos de chuva. Ora o escoamento das águas estava absolutamente controlado e bombagem automática, inventada por mim em 1984, embora rudimentar, funcionou perfeitamente, durante 15 anos, com o custo de um montante ridículo.
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Termina Tadeu Soares o telegrama: “Embora não se trate de trabalhos dispendiosos, julgo que esta área não pode ser negligenciada quando forem feitos trabalhos restauro e consolidação edifícios da Residência e Chancelaria”.
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Como se pode avaliar e já o afirmei na parte anterior, a esta, sem ainda conhecer os cantos da casa; sem nunca me perguntar nada sobre nada da missão Tadeu Soares quer obras, obras e mais obras. Chegava-me a interrogar: “mas porque raio de razão este embaixador quer obras se tudo está em condições razoáveis?”
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Mas este desejo de obras e mais obras será para explicar no seguimento desta em outras partes...
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Era evidente que Tadeu Soares não me desejava a mim e a todos os outros funcionários de anos na embaixada para trabalhar à vontade e fazer as suas “manigâncias” a seu prazer e ter o pessoal novo, admitido por ele absolutamente controlado, sem poder “dar ao bico”.
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Bem é que Tadeu Soares ameaçou-me que me despedia por duas vezes, usou a resistência, maldosa e pacífica, para comigo que me colocou muitas vezes a dactilografar telegramas até às 10 da noite.
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Era uma tortura trabalhar com este homem, porque além de fazer telegramas, que mandava para a CIFRA, de um cozinhado dos recortes dos jornais diários, depois de eu os dactilografar, emendava-os (alguns, mais de meia dúzia de vezes), que chegava ao ponto de entrar em “órbita”.
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Num telegrama contei-lhe a mesma palavra 16 vezes e num parágrafo 3 que o chamei à atenção para o rectificar. Às 7 da manhã estava na embaixada a recolher o expediente que chegava de Lisboa, preparava-o para lho entregar na sua mesa; depois dactilografar telegramas, ofícios até depois as 7, 8, 9 e 10 da noite era para “estourar” comigo, psicológicamente, que acabei de ir parar ao hospital num noite e ficar internado dois dias pelo desumano tratamento de um diplomata de uma “ruindade” incrível!
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Por duas vezes ameaçou-me que me despedia da embaixada dentro do seu gabinete, já tarde e de quando apenas os dois sós. Peremptoriamente e já um pouco fora de mim (porque a paciência tem limites) perguntei-lhe se o que me acabava de dizer era uma ameaça... Cobardemente calou-se e foi melhor ter procedido assim.
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Voltando aos telegramas dos empreendimentos a seguir ao telegrama 90 dactilografou outro onde dá conta de um pouco da história da doação do terreno, cujas informações, parte delas, fui eu que lhas forneci, dá o elogio patriótico aos portugueses de quando fizeram parte da guarda ao palácio real (sec. XVI) na antiga capital do Sião em Ayuthaya.
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Informa do estilo, colonial, da residência dos embaixadores e que esta, lamentavelmente, os últimos grandes trabalhos e, mesmo a pintura interior foram feitos tempo do Embaixador Mello Gouveia (1982-87) .
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Informa dos problemas que o edifício se tem vindo afundar lentamente, inclinação dos soalhos, portas, janelas; a infiltração das águas do rio, do muro de protecção junto à margem do rio Chão Pryá, etc,etc,etc.
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Tudo no modo de ver de Tadeu Soares está numa autêntica miséria. Num parágrafo deste telegrama (passado 14 dias de Tadeu chegar a Banguecoque):
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Proposta: Consideradas hipóteses possíveis para estudo problema (serviços públicos tailandeses, portugueses ou de Macau), julgo mais razoável recorrer serviços obras públicas e hidráulicas Macau e, caso não receba instruções em contrário, proponho-me solicitar a Governador Macau envio um ou dois engenheiros aqueles Serviços fim de proceder levantamento topográfico terreno e propor soluções visando deter afundamento casa e infiltração rio. Não julgo que tal estudo implique encargos para essa Secretaria de Estado.”
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O conteúdo acima traz muita água no bico e parte de uma, forte, ligação de amizade que pouco depois de chegar a Banguecoque encetou
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Depois de o Alípio Monteiro ter sido admitido como funcionário contratado a termo certo, há outra personagem, Nuno Mota Veiga que viria a infiltra-se na embaixada, dado como vice-cônsul e nomeado (!!!) por Tadeu Soares.
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Ainda no consulado do embaixador Mesquita de Brito, aparecia de quando em quando a rondar a chancelaria, carregando ao ombro uma máquina fotográfica. A primeira pessoa a quem o Veiga se teria apresentado, foi ao Dr.Jorge Morbey, Conselheiro Cultural da embaixada e, pouco depois fez-me sua apresentação.
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Nunca foi apresentado ao embaixador Mesquita de Brito e até lhe passou despercebido rondar a embaixada. Fez várias visitas a Banguecoque, ainda com o Mesquita de Brito e já se sabia que este embaixador iria deixar a missão e o novo seria Tadeu Soares. -
Longe estaria eu de imaginar que o Veiga se estava a preparar para entrar ao serviço da embaixada e, segundo fontes (que aqui não vou revelar), estava bem apadrinhado pelo embaixador António Monteiro, na altura Representante no Conselho Económico e Social das Nações Unidas e onde Tadeu Soares, antes de vir para Banguecoque (1999), esteve em comissão de serviço.
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Esperava e já de colocação certa o arquitecto (que nunca provou a licenciatura com o documento), Nuno Mota Veiga a chegada de Tadeu Soares. O Dr. Jorge Morbey pouco sabe de suas origens e não mais fez, como o faria a outro português, recebê-lo bem.
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Porém mais tarde teria-lhe dito que deveria seguir a profissão de arquitecto e não uma carreira burocrática ligado a uma secção consular. Mas como poderia seguir a carreira, se um amigo, meu, de Macau me informou que era um fraco “designer”?
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O certo que foi, embora a recepção encoberta, o Veiga foi recebido de braços abertos pelo Tadeu Soares, levou-o para a Residência dos embaixadores, viveram juntos, por cerca de ano comeram na mesma mesa, partilharam viagens ao estrangeiro, unha e carne os dois nas recepções, diplomáticas, contínuas e protocolares na capital tailandesa.
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Umas vezes Tadeu Soares dava-o como o meu cônsul e outras o meu secretário. Passado um ano ou porque aquela amizade, tão próxima, teria sido reparada, acabou o Veiga para se mudar para um apartamente, junto à Rama III road, a uma meia-dúzia de quilómetros da embaixada.
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Como nota curiosa e aqui designo, o Alípio Monteiro tinha sido condiscípulo de um irmão de Tadeu Soares, de quando jovens, no Colégio dos Carvalhos, nos arredores do Porto.
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Estava com isto o embaixador Tadeu Soares com os seus homens de confiança e que viriam, estas duas personagens, a mudar o rumo da embaixada e o curso da minha vida de 15 anos, de permanência, nessa data.
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Surge então na embaixada a intriga, o despedimento, colectivo, de pessoal e o meu inferno quotidiano naquela casa que nunca tal coisa haja acontecido antes.
José Martins
Continua

Saturday, April 18, 2009

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - A OUTRA FACE DA DIPLOMACIA

Parte 32ª
Jardim de Portugal - Ilha de Riqueza
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Introdução: Ainda não será nesta parte que vai ser introduzida matéria sobre os rendimentos e os montantes que foram recebidos, de uma parcela arrendada, a um hotel de luxo, pertencente ao Estado Português e doada pela régia vontade de S.Majestade o Rei Rama II, do Reino do Sião à Coroa Real Portuguesa em 1820.
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Aos interessados na história, peço uma vista de olhos às partes anteriores a esta e seguidas desde o número um. Como anteriormente o referi muito há que contar e de forma alguma a história pode ficar ignorada e terá que ser do conhecimento do público.
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Que se entenda que ninguém, por sua autodeterminação, é dono e senhor de propriedades do Estado Português, sejam estas localizadas em Portugal ou no estrangeiro.
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Os rendimentos, da parcela mencionada, têm rendido centenas de milhares de euros e, destes, não tem sido dado conta à Secretaria de Estado dos Estrangeiros, em Lisboa, desde 1988, por cinco embaixadores que têm gerido a missão diplomática de Portugal no Reino da Tailândia.
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Durante 21 anos, a rotina existiu: Um embaixador terminou a sua comissão de serviço, fechou a porta; deixou o "canhão" do livro de cheques, apenso a um memorando dando conta como os rendimentos têm sido processados, fechados numa gaveta e o seu sucessor que governe como a melhor forma que entender.
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Com isto a Embaixada de Portugal em Banguecoque tem sido um estado dentro do Estado Português. Evidentemente que eu sei que a classe diplomática portuguesa é privilegiada e composta por pessoas de idoneidade, onde acima de tudo deveria existir, interiormente, a honestidade (há gente boa e esta está fora de causa) e por fora a decoração da figura, corporal, vestida de bom pano.
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Um homem como eu que viveu 24 anos nos meandros da diplomacia, seria um medíocre, se não entendesse a diplomacia. Sei perfeitamente quais os deveres e as obrigações de um chefe de missão, de outros diplomatas, do pessoal administrativo e do eventual.
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Li, vezes sem conta, o "Manual Diplomático - Direito diplomático - Prática Diplomática" do embaixador José Calvet de Magalhães, a fonte onde todos os diplomatas vão beber.
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Evidentemente que eu entrei para a Embaixada de Portugal em Banguecoque, com a licenciatura da 4ª Classe da Instrução Primária; iniciei-me, nela, a pintar os muros que envolvem o jardim da residência, durante 27 dias em 1984; viria a ser olhado pelo lado “vesgo”, por certos chefes de missão e outros diplomatas.
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Fui-me aperfeiçoando, no correr dos anos, sempre com o meu pensamento ligado, a tempo inteiro, à missão e consciente das minhas obrigações, para com os chefes e respeito pelos que me rodeavam.
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Não me vou considerar vítima, nem atirar pedras aos que me fizeram mal, sem eu nunca os ter prejudicado, provocado dano moral ou material.
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De todas as formas a minha voz não pode ser calada, mesmo que tudo que revelo fique em "águas de bacalhau" e a quem de direito, lhe passe despercebido, ou me contactem para outras explicações além das que tenho revelado.
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Quando em Portugal, tantos e mais casos de corrupção (falsos ou verdadeiros) são trazidos à praça pública e jamais terminados, ou o público (com o direito de saber) seja devidamente elucidado; não me parece que a "corrupção" praticada há vários anos, na Embaixada de Portugal em Banguecoque seja matéria de interesse para a Justiça portuguesa.
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Vinte e um anos são demasiados, é certo, mas os envolvidos ainda vivem. Alguns portugueses, aqueles que durante séculos, foram enviados para o estrangeiro para representarem a nação, não levaram na bagagem a honestidade para a servir.
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Mas a vaidade do estatuto e colher avantajados frutos e regressar ao país com extras cabedais que pouco lhes importava se foram ou não granjeados dentro ou fora da legalidade.
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Foi assim, desde 1500 e de quando os portugueses começaram a expandir-se desde Goa, Sudeste Asiático, Índias Orientais e ao Japão.
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Já tarde, comecei a entender e, quando, me aprofundei na história dos descobrimentos que o sistema passou de pais para filhos, netos, bisnetos e ramificou-se a outras classes, que serviram o Portugal, até à “ralé”.
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Porém quando a ralé denunciava as ilegalidades, seria esta a pagar as “favas” e objecto de encobrimento da desonestidade dos seus superiores.
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A mim me fizeram o mesmo, tentaram um “complot” (quando comecei a denunciar factos) tecnicamente com alguma imaginação, onde o “medo” a injectar-me era de primordial importância, na fabricação do esquema, estiveram envolvidas quatro pessoas: “a senhora do alto, aterrorizada; um “cavalheiro”, chico esperto e oportunista; um académico (acredito ter sido enganado pelos dois “cérebros mentores”) e, por último, usado, como “pombo correio” um inocente, cá de baixo, funcionário"
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Fomos assim na Ásia e no Oriente. Agora já tarde para reparar o erradio, porque a presença portuguesa na Ásia esfumou-se e já não há mais propriedades para sugar os rendimentos, especiarias, pedraria e outro muito que por cá havia a não ser o Jardim de Portugal.
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Até esta parcela que muito nos honrou foi doada pelo Rei do Sião, para que Portugal fosse o elo de ligação entre este reino e os países da Europa.
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Não foi assim o procedido e dia por dia, a Missão Diplomática de Portugal na Tailândia, vai morrendo aos poucos. Aquela pujança de vida, por anos, que lhe foi conhecida, tomou-lhe o lugar a indolência, fabrica-se a mentira e impinge-se como verdade.
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O umbigo dos homens está em primeiro lugar; os interesses do Estado Português em segundo.
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Em fim tem sido desta forma que os homens a têm gerido.
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Pouco lhes importa que a deixem nas "lonas", baterem com a porta e ir "pregar" para outro púlpito.
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Contra a força não há resistência, ter que olhar tudo com a santa paciência.
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CONTINUAÇÃO DA GERÊNCIA DO EMBAIXADOR TADEU SOARES
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Como na outra parte me referi, embaixador Tadeu Soares, pretende modificar não só todo o pessoal e criar um novo modelo de gerência. Desde logo me apercebi que o diplomata não estava à altura de gerir a missão de diplomática de Portugal na Tailândia.
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Com ele e de Nova Iorque trazia pouco mais que a averbação de poder de que não estava à altura de o gerir. Não foi chefe de posto que desejasse ouvir palavras, dos funcionários que já há muitos anos prestavam serviço na embaixada. Quer ele tudo levar acabo, só, sem para tal não estar preparado.
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São os arquivos da embaixada, sem ainda estarem mortos que deveriam ser enviados para os arquivos da Secretaria de Estado e foram.
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O pouco respeito que tem pelas pessoas, funcionários do Estado português, que as substituiu, tirando-lhes o estaturo hierárquico e coloca no lugar outros aventureiras que não se sabe da sua procedência. Foi o saltar por cima da Lei e ele, em Banguecoque, é dono e senhor dela.
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Esmaga, sem critério algum e respeito, o seu predecessor embaixador Mesquita de Brito.
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Inventa que a embaixada está uma “desgraçada” em completa ruína; cria amizades duvidosas, que lhe instalam um sistema de vigilância, nas pontas do muro ao fundo do Jardim, junto ao rio Chao Prya que quase nunca funcionou e custou os olhos da cara ao contribuinte; mandou instalar uma quantidade de computadores, obsoletos, na chancelaria a uma empresa, propriedade de um austríaco, que viria a fugir de Banguecoque por actividades duvidosas.
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Custou essa montagem, informática, cerca de um milhão de bates (40.000 USA dólares), pela montagem de computadores, piratas, cujas peças foram adquiridas no centro de venda deste material, avulso, em Banguecoque e conhecido por “Pantipá Plaza”, quando o valor desse material seria menos que um terço despendido.
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Computadores que nunca funcionaram, e para isso o Alípio Monteiro contratou um indivíduo (dos países do Leste da Europa) que todos os dias passava horas e horas, na chancelaria, a consertar os programas (que não os reparava, nem sabia) ao preço (diziam-me) de 100 dólares a hora.
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Pois nunca tive acesso ao arquivo das contas, fechado e bem guardado pelo Monteiro, para que eu "não desse à língua" da falcatrua da reparação dos programas dos computadores, ainda sem, estes, estar ligados à Internet.
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No que me estava distribuído nunca o "pássaro" lhe tocou e funciou, a teclar telegramas, até ser substituído por outro que chegou da Secretaria de Estado.
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Pouco depois do Alípio Monteiro de ser admitido há outro aventureiro que foi admitido, um tal Nuno Mota Veiga que se dizia arquitecto sem nunca lhe ter visto fazer um risco na prancha.
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Tadeu Soares pouco depois de chegar a Banguecoque, principia a criar obras e para estas é preciso dramatizar o estado em que veio encontrar a “desgraçada” da Residência dos Embaixadores.
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Fotografou dezenas de lugares e dirigiu as lente para o lugar que melhor lhe convinha, porque seria uma forma de ir impressionar os seus superiores no Palácio das Necessidades.
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Em 30 de Abril de de 1999, sem ainda ter aquecido o assento da cadeira do seu gabinete, envia para a Secretaria de Estado dos Estrangeiros a seguinte comunicação:
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"
“É-me difícil descrever ou dar uma imagem do estado de profunda degradação em que se encontram a Residência e Chancelaria da Embaixada de Portugal em Bangkok.
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Estas palavras poderá afigurar-se excessivas mas apontamentos que envio em anexo, e que deverá ser estudado com dossier de várias dezenas de fotografias que seguirão hoje por via aérea, melhor permitirão aos Serviços avaliar estado lamentável se encontra uma das supostas melhores Embaixadas do Estado.
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Apontamento anexo enumera de forma tão objectiva quanto possível trabalhos urgentes a empreender e que para facilidade resposta dos Serviços dividi em dois sectores:
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Estruturais – para os quais pedi já orçamento duas empresas e que remeterei logo que recebidos.
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De-Decoração – a tarefa que se depara e tão vasta, as carências de tal ordem (bastaria dizer que não existe um único tapete, um um único quadro, um simples par de castiçais.
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Não existem cortinados em várias salas num um único móvel de boa qualidade ( e exceptuamos 4 mesas redondas e uma longa feiíssima mesa de jantar com 18 cadeiras); não há candeeiros de tecto aproveitáveis e os de pé tem sem excepção os “abat jours” rasgados ou manchados; os 2 grupos de sofás são dos anos 80,etc,etc etc)
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As carências são tais; repito se impões vinda decorador essa Secretaria de Estado.
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Valor histórico do edifício e suas imensas potencialidades não devem ser abandonados nem deixados aos caprichos diversos Embaixadores.
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Permito-me sugerir vinda urgente Bangkok Senhora Sofia Saldanha que
não conheço mas cujo trabalho realizado Embaixada Tel Aviv e Viena tenho ouvido elogiar.
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Devo insistir que nas presentes condições residência não permite qualquer vida social.
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Recordo que em Dezembro deverá vir Tailândia Sexa Presidente da República e que em Janeiro se inicia Presidência UE.
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Apontamento será em breve seguido sectoriais sobre diversos aspectos recheio cujo inventário estou tentar actualizar dado o existente não ter tocado desde partida Embaixador Castello-Branco.
A)Tadeu Soares
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À margem: Esta comunicação é deveras aterradora!
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Tadeu Soares quando enviou a comunicação, transcrita acima, para a Secretaria de Estado, tinha apenas quatro dias de gerência da missão.
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Tinha assumido funções no dia 26 de Abril de 1999 .
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A residência tinha dignidade e recebeu várias individualidades nacionais e estrangeiras, entre elas, das portuguesas, o Governador Rocha Vieira de Macau; o Ministro das Finanças Sousa Franco e outras que não vale a pena designar.
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A comunicação à Secretaria de Estado de 30 de Abril não é mais nem menos para atingir objectivos e impressionar e o pouco respeito para com o seu predecessor o embaixador Mesquita de Brito.
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A comunicação seguiu Lisboa, via fax em 30.04.1999 às 15:27 hora de Banguecoque, dactilografada e expedida por mim.
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Nela há prosa impressiva e maliciosa e só eu a poderei avaliar, de forma correcta, porque estava ao serviço da embaixada havia 15 anos.
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É falso dizer que não havia um único quadro. A residência tinha as paredes bem revestidas deles. A até as molduras de seis embaixadores, seus predecessores, que estavam no correr da subida da escada principal da residência, retirou-os logo que aqui chegou.
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Um dia perguntei-lhe: "Senhor Embaixador retirou os quadros daqui? Respondendo isso é lixo! Tinham sido arrumados para um armazém de arrumações aqueles e outros!
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Embalei, tempos depois, esses quadros, para os conservar, que tinham sido pintados, por artista francês, que passou por Banguecoque e encomendados pelo embaixador Mesquita de Brito.
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Hoje essas obras estão no salão da chancelaria, onde está o retrato dele exposto e fui eu que o mandei pintar, juntamente com o do embaixador Lima Pimentel, a um artista de Banguecoque, pelo preço, os dois, de 100 dólares.
José Martins
Continua

Tuesday, April 14, 2009

EMBAIXADA DE PORTUGAL - A OUTRA FACE DA DIPLOMACIA

Parte 31ª
Jardim de Portugal - Ilha de Riqueza

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Introdução: Embaixador Tadeu Soares, chegado a Banguecoque, ao outro dia apresentou-se na chancelaria.
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A minha fonte informativa dentro do Palácio das Nescessidades, não me deu as melhores referências e uma das recomendações foi que nunca lhe mencionasse o embaixador Mello-Gouveia.
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Mas nesta parte, uns meses antes de assumir a gerência da missão, já eu estava tranquílo dado que numa viagem que fiz com Mello-Gouveia a Ayuthaya informou-me que não era assim, porque uma semana antes Tadeu Soares tinha almoçado com ele em sua casa, na Travessa da Palmeira em Lisboa.
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Por norma e já o informei, em partes anteriores, ou por cortezia ou para tirar "nabos da púcara", os embaixadores, visitam os seus predecessores a informá-los que foram nomeados para o posto que antes tinha chefiado.
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Tadeu Soares visitou Mello Gouveia, cujo o velho e experimentado embaixador gostava de avaliar os seus colegas e teria dito a Tadeu Soares que eu era um funcionário expedito e trabalhador. Mello Gouveia tinha um sentido psicológico muito forte (manha à mistura) que sabia avaliar os seus colegas logo ao primeiro contacto.
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Embaixador Tadeu Soares na chancelaria foi recebido pelo número dois dr. João Brito Câmara, o Encarregado de Negócios interino, função assumida desde a partida do embaixador Mesquita de Brito. Tadeu Soares, carregava uma máquina fotográfica Nikon e conforme as informações que lhe ia dando Brito Câmara, tirava fotografias ao lugar.
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Eu como funcionário do MNE, acumulando a função de Representante do ICEP, dias antes preparei o quarto onde se instalava a secção comercial, dando-lhe o melhor tom possível para a gradar ao novo embaixador. Quando Brito Câmara me apresentou, amigavelmente, diz-me: " O sr. embaixador Mello Gouveia deu-me muito boas referência de si!" Fiquei bastante sensibilizado com as palavras acabadas de ouvir.
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Fui-lhe mostrar o sala do ICEP, olhou da porta em redor, tirou-lhe várias fotografias e diz-me: "Está muito cheio, está muito cheio..." O que acabava de ouvir foi um autêntico balde de água fria que Tadeu Soares me atirava e deixou-me desde logo com uma impressão terrível e a previsível falta de apoio que no futuro me aguardava para continuar em frente com a secção comercial.
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Depois de ter passado a pente fino todos as salas da chancelaria e tirado mais de um cento de fotografias viria a opinar que tudo se quedava muito mau e o melhor que tinha encontrado foi o quarto da representação do ICEP.
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Durante os primeiros dias de Tadeu Soares assumir a gerência da missão, mostrava-se simpático para comigo, com outro pessoal, mas começou a "embirrar" com as pernas (por sinal bem torneadas) da sua secretária Kung. A rapariga uma trintona (competente no serviço), gostava de mostrar as pernas uns centimetros acima dos joelhos que a tornava uma mulher apetecivel, mesmo baixa de estatura, de pernas perfeitas e o "traseiro" do mesmo modo, principia a Kung a ser pouco desejada na embaixada pelo Tadeu Soares. Com aquelas "birrices" das pernas a Kung saiu por sua vontade própria e foi trabalhar para a Embaixada do Egipto.
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O embaixador Tadeu, acreditado na Tailândia, tinha prestado serviço na Representação de Portugal nas Nações Unidas, seguindo, de perto os trâmites do processo da independência de Timor-Leste e deu-me a impressão que pretendia fazer da Embaixada de Portugal em Banguecoque umas "Nações Unidas" em miniatura.
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Bem depois das imagens que recolheu nos lugares que mais lhe interessavam, para impressionar o Secretário-Geral da Secretaria de Estado que a embaixada de Portugal estava num completo caos e seriam necessárias obras.
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Material fotográfico que seguiu para Lisboa, acompanhado de um ofício, de várias páginas, que eu dactilografei e despachei por Mala Diplomática. Depois deste trabalho haveria outro a levar em frente cujo este me tocava a mim.
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Por anos e anos tratei dos arquivos da embaixada e recebido os ensinamentos do embaixador Castello-Branco que era o máximo em organização. Criou uma chave de arquivo, ensinou-me como o deveria manipular e como tratar o arquivo de processos já terminados que seguiriam para o arquivo histórico e depois de uns 20 ou 25 anos seria enviado para a Secretaria de Estado dos Estrangeiros em Lisboa.
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Arquivo absolutamente a funcionar no seu melhor e raramente, demorava mais de um minuto a procurar um documento que me era pedido pelo chefe de missão e entregá-lo na sua mesa. Agora Tadeu Soares pretende, além de impressionar seria o de arrasar o seu predecessor embaixador Mesquita de Brito. Envia um fax para Embaixada de Portugal em Tóquio, dactilografado por mim, para que lhe mandassem a chave do arquivo da missão, para em Banguecoque se proceder da mesma maneira, porque o veio encontrar num completo caos.
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A resposta chegou dias depois, por fax, com várias páginas, onde designava a organização dos arquivos na missão de Tóquio. Logo verifiquei que aquela fórmula não era compatível para ser aplicada em Banguecoque, mas a mais praticável seria a que funcionava e criada por Castello-Branco. Os arquivos terão que ser totalmente modificados e trabalho para dias e dias para mim.
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O certo que foi que nunca funcionou e com o correr do tempo, ainda na sua gerência, tive que voltar ao processo antigo. Agora já não se interessava nada da organização de arquivos... O pedido que tinha feito para Tóquio era apenas um "Show off".
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Pouco dias depois de assumir a gerência, numa manhã, chegou esbaforido à chancelaria, seriam umas 8 horas da manhã a perguntar-me pelo chanceler Chalerm. Vi Tadeu Soares tão excitado que lhe pergunto: "Senhor Embaixador aconteceu alguma coisa?"
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Um ladrão entrou na residência, roubou um telefone e um computador portátil a uma amiga minha, portuguesa, a quem lhe tinha dado hospedagem na residência. O Chalerm, tailandês com quase meio século de serviço na embaixada, Tadeu Soares informou-o do roubo; telefona para a polícia da área de Bangrak (a uns dois quilómetros da embaixada) e dentro de poucos minutos entra no parque de estacionamento, da chancelaria um grupo de polícias conduzindo motorizadas e de rompão entram na chancelaria, são levados para a residência e verificar o lugar onde se tinha dado o roubo.
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A polícia investiga os funcionários da residência, todos com muitos anos de serviço e levam preso um "pobre" trabalhador, humilde de Sri Lanka que tinha sido contratado pelo embaixador Mesquita de Brito e deixado a trabalhar, na residência, depois de partir para Portugal.
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Nunca vi a senhora, a roubada, na chancelaria e nunca foi descoberto o ladrão. Só que, segundo aquilo que me disseram o humilde trabalhador de Sri Lanka, foi apertado na esquadra de polícia e teria levado uns "tabefes" para confessar.
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Não confessou porque não roubou nada, nem os outros funcionários porque durante o longo tempo que já ali permanecia, como funcionário, nunca ali se tinha registado um roubo. E, durante toda a história da fundação, da embaixada, depois de consultar vários documentos, antigos, só vim encontrar um roubo caseiro de umas garrafas de bebidas.
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Passado uns dias depois, informa-me Tadeu Soares, que alguém foi ao quarto onde dormia a sua mãe e lhe roubaram 900 dólares americanos e descondiava que tinha sido o motorista Prachuab.
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O Prachuab, motorista, como o Chalerm, já levava na embaixada quase 50 anos de serviço e nunca se teve conhecimento de roubos a não ser uns sacos de areia, de quando das obras da chancelaria da embaixada, para uma casita que construia nos arredores de Banguecoque.
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Certamente, que nos arranjos, do carro da embaixada mandaria acrescentar, no recibo, mais uns bates. Porém se isso aconteceu nunca se deu por ela. Durante a comissão de Castello-Branco, antes de o carro seguir para qualquer reparação, a avaria era vista por mim se necessitava desta ou daquela peça. E pedia-lhe sempre que depois de substituída que trouxesse a velha de volta.
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Os roubos da residência que nunca foram descobertos e os ladrões foi uma pura invenção de Tadeu Soares com a finalidade de substituir todo o pessoal da missão. E foi substituído: "mordomo, a cozinheira Somchai de mais de 20 anos de casa; o motorista Prachuab e o homem humilde de Sri Lanka.
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Era preciso refrescar tudo e mais alguma coisa na missão e admitir pessoal novo e, este, passado a pente a fino e visto pelos os olhos de ver de Tadeu Soares. Na missão a pessoa a tratar do expediente era eu e desenvolvendo a secção comercial com um movimento razoável.
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São publicados anúncios nos jornais "Bangkok Post" e o "The Nation", em língua inglesa a pedir motorista, cozinheiro, mordomo e outro, para a Embaixada de Portugal. Informavam os anúncios os dias da semana que deveriam vir, à chancelaria, os candidatos para motorista, cozinheira, mordomo etc.etc.
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Eu e a secretária Kung quase que íamos dando em doidos. Choveram dezenas de chamadas telefónicas, de candidatos, a pedirem informações e o telefone, durante o dia não paravam de tocar.
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-Sob o tocar da campaínha do telefone cheguei à porta do gabinete de Tadeu Soares e digo-lhe:
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-"Senhor Embaixador isto não se faz assim!"
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Retorquiu:
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- "Então como é?"
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- Senhor Embaixador o anúncio é publicado, nos jornais, designa-se que o pessoal é para trabalhar numa embaixada e com carta à redacção do jornal, onde se vão recolher as cartas, seleccionam-se umas vinte, fazer entrevistas a este candidatos, avaliá-los um por um.
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- Ficam cinco cartas, de candidatos, chamam-se outra vez e destes cinco sai o melhor que parecer para a prestação do serviço.
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Não gostou da minha sugestã0 e foi o caos na chancelaria cheia de candidatos. O trabalho numa embaixada, embora o ordenado mensal não fosse por aí coisa que valesse, era atractivo o lugar. Aparecceram com isto dezenas de candidatos.
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Escolhidos motorista, um latagão alto e jovem, o Nong, educado na Nova Zelândia, por uma madrinha que se exprimia perfeitamente na língua inglesa.
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O Nong excelente profissional, ainda no consulado de Tadeu Soares, foi "pilhado" pelo embaixador da Delegação da Comissão da União Europeia e ainda hoje, penso, estar por lá.
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O cozinheiro esteve uns dias e foi-se embora; o mordomo o mesmo. Meteu uma senhora da limpeza, madou-lhe comprar um uniforme, com avental orlado de rendinhas (tipo as antigas criadas de servir em Portugal) e todas tardes ia fazer a limpeza à chancelaria naqueles modos, que deixava a velha Noi, a resmungar já que ela por quarenta anos, sempre de pano na mão, limpou o pó (que não era nehum) das cadeiras, maquinas de escrever.
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A Noi, já tinha o destino traçado o olho da rua, uma pobre que ganhava, por mês, 3.000 bates (cerca de 85 euros). Posta fora da chancelaria, sem recompensa que fosse de quarenta anos a limpar o pó na chancelaria e recolheu-se debaixo de um vão de umas escadas, junto aos Correiros Centrais.
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Eu e o Chalerm, lá íamos ajudando, com 100 bates, a pobre da mulher para comer. Partiu pouco depois, para as terras altas, do Norte da Tailândia, com o bilhete de comboio que lhe compramos. Nunca mais a vi...
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Mas tive conhecimento que a velha mulher e servidora de Portugal na Tailândia, morreu, como tinha nascido numa casita de madeira nos arredores de Chiang Rai.
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À MARGEM
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Ainda não é nesta parte que vou inserir algo em cima do Jardim de Portugal - Ilha de Riqueza.
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Mas lá irei na altura certa que há ainda muito a contar.
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Não posso deixar em "branco" os factos passados com três embaixadores, que se seguem : Tadeu Soares, Lima Pimentel e Faria e Maya.
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Durante a minha permanência sob suas gerências tantas e mais coisas se passaram. A intriga, o roubo, a apetência de oportunistas. de tirar o lugar aos outros e se infiltraram na embaixada, apoiados pela simpatia dos embaixadores.
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As humilhações constantes que me foram dirigidas.
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A Embaixada de Portugal em Banguecoque não era um departamento do Estado Português, era sim uma "uma loja" de cada chefe de missão que mentia, conspirava aos seus superiores - o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Secretário-Geral - do Palácio das Necessidades.
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Continuo a informar quem me lê que não sou um fabricante de mentiras ou pessoa de esquemas e de golpes.
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Sou aquilo que tenho sido sem nunca ter prejudicado o colega do meu lado ou as pessoas que me roderam.
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Servi-os a todos (como ainda o faço) no meu melhor.
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Sou modesto e nunca vivi para me auto-promover, de grandezas falsas e balofas!
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Nunca fui "marçano" ou mandarete da loja que cada um foi criando.
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Infelizmente, observei, as misérias do viver de algumas pessoas que eu lidei.
José Martins
Continua

Monday, April 06, 2009

EMBAIXADA DE PORTUGAL - A OUTRA FACE DA DIPLOMACIA

Parte 30ª
Jardim de Portugal - Ilha de riqueza
Voltando ao tema de introdução do Alipio Monteiro (que muito ainda haverá a contar a respeito desta figura estranha) que se infiltrou na Embaixada de Portugal em Banguecoque com propósitos, frenéticos, de desalojar, da posição, outros funcionários que há muitos anos se encontravam na missão e, demais, eu vinculado como funcionário "Assistente Administrativo Principal", do quadro do funcionalismo público do Ministério dos Negócios Estrangeiros; por lei me conferia a posição do número três da embaixada.
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Como foi referido esta figura que nunca se chegou a saber ao certo de onde veio e quais as razões que o levariam abandonar o emprego, que antes teve, no escritório de uma filial da TAP Air Portugal em Zurique.
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O certo foi que o Monteiro partiu da Suiça, em Outubro de 1998, deixando lá a sua companheira, de nacionalidade tailandesa, funcionária da filial da linha aérea nacional e, por nove meses, a viver só, hospedado, numa pensão na localidade do Pachong, onde possui a propriedade agrícola, já referida na parte anterior a esta.
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Quando encontrei o Monteiro, pela primeira vez, numa pequena recepção que o embaixador Tadeu Soares (com pouco mais de um mês de ter assumido a gerência da missão) ofereceu à comunidade portuguesa, residente em Banguecoque, no Dia 10 de Junho de 1999.
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Seriam, pouco mais, de uns 20 portugueses e entre eles juntava-se o Monteiro e a sua companheira.
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Naturalmente como residente há longo tempo em Banguecoque dirigi-me ao Monteiro, conversamos e informa-me ser reformado da TAP Air Portugal, adquirido uma propriedade agrícola no Pachong e no futuro dedicar-se à agricultura. Apresentou-me depois a sua companheira.
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Não me informou que tinha a nacionalidade canadiana e entrado na Tailândia com o passaporte deste país. Encontrei no Monteiro uma pessoa simpática e até com algum regozijo de mais um português residente na Tailândia.
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Mas nunca cheguei a saber a razão, dado que o Monteiro, já com nove meses, na Tailândia, nunca se ter apresentado na secção consular da embaixada, já que iria residir, permanentemente, neste país, como cidadão português, inscrevendo-se e preenchendo o "boletim de inscrição".
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Por norma qualquer cidadão português que chegasse a Banguecoque dirigia-se à chancelaria, inscrevia-se e informava que iria residir, permanentemente ou temporáriamente no país.
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Estaria longe o meu pensamento que passado menos de um mês aquele português, o Monteiro, que nos tínhamos apresentado, no Dia 1o de Junho, entrava ao serviço da Embaixada de Portugal e que toda aquela paz e amizade havida antes entre todo o pessoal seria modificada.
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Ora o embaixador Tadeu Soares, foi um diplomata daqueles que "emprenhava" pelos ouvidos e, teria ido nas palavras, aliciantes, do Monteiro de que era um "artista" nato.
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Um sujeito que aparentemente parecia não quebrar um prato e era mais nem menos que o terror da louça. Homem de poucas palavras, bom analista, com tendências de psicólogo em observar as pessoas e como as deveria, depois atacá-las, para atingir os objectivos, futuros, em vista.
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Logo no princípio procurei construir um bom relacionamento com ele, seguindo juntos almoçar, treiná-lo no serviço do expediente e eu continuar a levar em frente a actividade da secção comercial, já com dois anos de existência e progressivamente ia-se construindo.
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Com a entrada do Monteiro na embaixada e um pseudo arquitecto Nuno Mota Veiga (que mais tarde irei falar nesta figura estranha), a amizade e lealdade havida antes entre os funcionários acabaria e começaria um inferno para mim e do número dois da missão o diplomata João Brito Câmara.
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O Monteiro e o Nuno conseguiram "empedernir" o Tadeu Soares que depois de meados de de 1999 nem eu nem Brito Câmara viríamos a ter paz de espirito sob a gerência de Tadeu Soares. Estava criado um ambiente de cortar à faca.
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Durante o almoço com o Monteiro eu transmitia-lhe as fracas atitudes de Tadeu Soares, para comigo. O certo era que cada vez mais se azedava o relacionamento do chefe de missão para comigo e igualmente com o diplomata Brito Câmara.
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Entendi então que o Monteiro de unha e carne (por conveniência) com Tadeu Soares, lhe enchia os ouvidos com verdades de mentiras daquilo que tinha ouvido de mim.
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Separei-me dele, não houveram mais refeições entre mim e o Monteiro e passei almoçar, depois com o diplomata Brito Câmara, a quem Tadeu lhe dizia andar com "ruim gente".
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Essa ruim gente, como naturalmente, se entende era eu!
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O Monteiro está absolutamente senhor da administração dos dinheiros do funcionamento, da missão e da aquisiação de bens. A chancelaria estava razoavelmente equipada de armários e secretárias, metálicas em muito bom estado.
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Com entrada do Monteiro, com os poderes que tinha do Tadeu Soares esse material foi todo para o lixo outro equipamento, de madeira prensada, foi colocado no seu lugar. Material que foi adquirido pela companheira, tailandesa, do Monteiro e uma camioneta foi descarregá-lo à chancelaria.
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O Monteiro ficou instalado na sala do expediente, onde dali tudo era processado para a Secretaria do Estado e se quedavam os arquivos, tratados por mim. O Monteiro ocupa, praticamente todo espaço e deixa apenas, uma pequena nesga, para o serviço mais importante da missão.
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Passa, assim, a embaixada de Portugal em Banguecoque um departamento do Estado Português, no estrangeiro, onde se trata de compra de bens e equipamentos (desnecessários) pelo Monteiro.
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Mas muito há ainda para contar e as desgraças são tantas a revelar que mais adiante serão descritas em outras partes.
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Uma das intrigas mais completas e forjada pelo Monteiro nas minhas costa foi perigosa que poderia ter consequências bem graves...
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Todas as manhãs junto ao diplomata João Brito Câmara, o número dois da missão, entre as 8 e 9 da manhã tomavamos café numa esplanada, do hotel Royal Orchid Sheraton, situada numa praça onde por ali passavam milhares de pessoas vindas da outra banda do Rio Chao Pryá.
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Algumas pessoas antes de se dirigirem para suas ocupações, tomavam ali uma bebida.
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Naturalmente, nós assíduos, fomos travando conhecimento com vários clientes, matinais, que se sentavam à nossa mesa.
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Entre estes uma jovem rapariga, bonita, empregada num escritório que tomava café, todos os dias junto a nós.
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Uma manhá lembrei-me de pregar uma partida a Brito Câmara tirando-lhe uma fotografia, de uma distância que ele não desse por mim, junto à rapariga.
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A máquina fotográfica foi um instrumento, por muitos anos, que nunca larguei, fosse aonde estivesse. Era um maníaco da fotografia como ainda hoje se mantém dentro de mim.
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Depois de obter a imagem (aposta em cima) dirigi-me para a chancelaria e mostrei o visor da máquina digital ao Monteiro, sentado à mesa de trabalho de que ele deveria ter notado que era uma brincadeira, mas desde logo se aproveitou para arquitectar uma intriga como já com outras tinha "embuzinado" Tadeu Soares.
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Depois de mostrar a foto ao Monteiro fui para o gabinete do ICEP, do qual era representante e imprimi a cores a fotografia e legendei-a tal qual como se encontra agora.
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Mostrei-a ao diplomata Brito Câmara e disse-lhe: "vou mostrar esta fotografia a sua esposa para que ela saiba o valdevinos que você é!"
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Mera brincadeira. Sempre eu e minha família nos demos bem com a família Brito Câmara e ainda hoje, depois de quase 10 anos de deixarem Banguecoque, esporádicamente, trocamos e-mails.
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Poucos dias depois, chega-se a mim, o Dr. João Brito Câmara, e sussurra-me em voz baixa que o embaixador Tadeu Soares o tinha chamado ao seu gabinete de trabalho e informá-lo que lhe tinham dito que eu andava a tirar fotografias, escondido das pessoas e que me despedia.
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Aliás já me tinha ameaçado por duas vezes que me despedia sem razão de a ter para isso.
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Brito Câmara disse-me que guardá-se segredo daquilo que me tinha dito, mas em verdade não me contive.
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Fiz uma nota juntei uma cópia a preto e branco da foto original e coloquei-a em cima da mesa de trabalho de Tadeu Soares, informando-o que aquilo que tinha feito era apenas uma brincadeira.
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Tadeu Soares depois de ler a minha justificação, chamou novamente Brito Câmara ao seu gabinete e passou-lhe um "raspanete" pelo facto de me ter transmitido aquilo que ele o tinha informado eu andar a fazer chantagem tirando fotografias no "escuro".
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Mas não deixou de lhe dizer: "pronto,pronto o caso da fotografia está resolvido..."
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Porém eu não estou satisfeito com o que se tinha passado e fui perguntar ao pseudo arquitecto Mota Veiga, mostrando-lhe a folha A4, com a imagem, se teria sido ele ter informado Tadeu Soares.
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Respondeu-me que não, dado que não sabia que eu tinha tirado essa fotografia.
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Aqui fiquei então a saber que o autor da transmissão a Tadeu Soares foi o Monteiro e deu-lhe o cariz que melhor pareceu para dramatizar o caso e criar mais uma intriga e juntar a outras, a meu respeito. Sabia bem o Monteiro que eu seria um indesejável, para ele, na embaixada.
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Para estar mais à vontade e movimentar-se sem ninguém o perturbar nas suas "manigâncias" eu teria que "dar o fora" da embaixada!
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Porque estou de férias e não tenho informação comigo, em cima do Jardim de Portugal, só para meados deste mês irei aprofundar o assunto e dar-lhe o realce que merece.
José Martins
Rio Kwai - Província de Kanchanaburi 6 de Abril de 2009

Thursday, April 02, 2009

EMBAIXADA DE PORTUGAL - A OUTRA FACE DA DIPLOMACIA

Parte 29ª
Jardim de Portugal - Ilha de Riqueza

Introdução a esta parte: Leio a imprensa diária de Portugal, quotidianamente e sempre as mesmas notícias: suspeitas de casos de corrupção, tudo segue a passo de "caranguejo" e nada se coloca a limpo.
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Espécie de um jogo do gato e do rato. Assim me leva a crer que actos, ilicitamente, praticados a sua investigação passa ao largo e que nunca se fará por que não há vontade que a mesma se faça.
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Se o exemplo deveria vir de cima e este não desce os de baixo, indiferentes, deixam correr o marfim e que siga nos termos: "tanto faz como se me deu e o improviso, malefício do poder, dentro dos factos é a realidade".
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Tudo passa despercebido e a indolência e o "faz de conta" o resto. Cada qual com um pouco de poder ceifa o trigo na seara e ata o molho. Ora tem sido o acontecido na Embaixada de Portugal em Banguecoque onde centenas de milhares de euros têm sido gastos ao "Deus calha" e administrados por um indivíduo que nem nacionalidade portuguesa tem, conhecida a sua procedência, de onde veio e para onde vai.
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Nos arquivos, da contabilidade da embaixada há dezenas de recibos falsos, sem a designação, no cabeçalho, da empresa onde foram adquiridos os produtos. São livros de recibos, vulgares, que qualquer papelaria, local, os vende a menos de um euro a unidade.
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Estes, recibos a justificação de gastos, estiveram, sempre, fechados a "sete chaves", num quarto, da chancelaria, ocupado pelo senhor Alipio Monteiro, de nacionalidade canadiana.
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Cheguei um dia a informar, de tal facto, o embaixador Faria e Maya, pouco depois de assumir a gerência da missão, que o arquivo da contabilidade deveria estar junto ao geral. Aliás como sempre esteve e tratado por mim.
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Respondeu-me que os recibos deveriam estar com o contabilista Alípio Monteiro.
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Acredito que o embaixador Lima Pimentel deveria ter deixado um "memorandum", a Faria Maya, dando as melhores referências do Monteiro, cujo este foi o seu "ponta de lança" durante o termo de sua missão onde os dinheiros do funcionamento, chegados de Lisboa e os recebidos das rendas do "Jardim de Portugal" correram sem "rei nem roque", como quem abre a torneira da água da companhia e a verte para o lavabo e lava as mãos.
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Os recibos a que aqui me refiro, a maior parte, são referentes a montantes que foram gastos em cima da verba das rendas do "Jardim de Portugal", que passou, nestes moldes, (embora já extinto) um novo "saco azul" de outros tempos da embaixada, onde, os que tinham poder, lhe metiam a mão e lhe retiravam importâncias a seu gosto.
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Verba, do "Jardim de Portugal" que este ano (2009), a renda, deve ultrapassar os oito milhões de bates tailandeses, (cerca mais ou menos de 170 mil euros).
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O Alipio Monteiro é um produto, admitido, pelo embaixador Tadeu Soares em Julho de 1999, a quem desde logo lhe entregou a administração dos dinheiros da verba do funcionamento da missão, chegados de Lisboa e mais tarde o livro de cheques da conta do "Jardim de Portugal".
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Durante os quase 10 anos que o Alípio Monteiro geriu os dinheiros da verba do funcionamento e os do "Jardim de Portugal" fez "trinta por uma linha", com a cobertura dos chefes de missão, que a dois dei conta de irregularidades, do Monteiro, de que eu suspeitava e outros colegas, igual a mim, que aqui não vou revelar nomes.
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Mas sabia disto, igualmente, um "tal" diplomata (número dois da missão) Luis Cunha (ainda na missão) de suspeitas de irregularidades do Monteiro na missão, que nunca tomou acção nenhuma, mesmo de quando, por algum tempo, Encarregado de Negócios.
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O Monteiro criou avenças para esta ou outra manutenção, quando antes eram feitas por dois humildes e competentes serviçais, efectivos, um listado na Secretaria de Estado dos Estrangeiros e outro eventual, que foram colocados fora pela influência (consulado de Tadeu Soares) do Monteiro, com a finalidade de atingir os seus objectivos de cortar e riscar e tomando a si todo o controlo dos serviços para que essas manutençóes viessem fora de portas e não levados a cabo por pessoal interno.
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Pouco interessava, ao Monteiro, se os bens do Estado Português fossem ou não fossem tratados por pessoal especializado, mas o que seria preciso é que viesse à missão, repará-los ou estragá-los.
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Se deteriorassem equipamento, não haveria problema algum porque outro novo seria montado e pago pelo cofre da embaixada. Mais material que fosse adquirido melhor seria para o Monteiro e mais "luvas" receberia.
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Mas além das avenças, que custaram os olhos da cara às finanças da missão, inventou obras desnecessárias. Um Monteiro que não conhecia o mercado de Banguecoque, mas isso não seria problema, sua esposa movimentava-se na rectaguarda, bem se encarregava de conseguir, fornecedores a seu modo; fazer os "cambalachos" e receber por fora as habituais, comissões da praxe.
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Bem o Monteiro quando foi admitido como contratado na missão, possuia dos veículos velhos, um Honda Cívic e uma carrinha, japonesa de caixa aberta, mas não tardou que se fizesse conduzir por um "jeep" Pajero de "topo de gama" e hoje de posse de um parque automóvel (penso de mais de 8 viatura), numa quinta, sua propriedade, a uns 150 quilómetros de Banguecoque.
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O "Pajero", até sob a divina graça do embaixador Tadeu Soares, lhe foi concedida a liberdade de o comprar à Embaixada de Israel, ficar em seu nome e usá-lo durante cinco anos com a matrícula CD!
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"Pajero", que das raras vezes que assistiu a eventos na embaixada o retirava dos "olhos de ver" para não criticarem e dar o "lamiré" da ilegalidade.
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O Monteiro que me disse ser reformado da TAP e para alguém que teria tido negócios de petróleo (!!!), de vulto, no Texas americano.
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O certo foi que nunca se soube da sua verdadeira profissão. Um Monteiro, que se afirma na embaixada como funcionário da TAP, reformado, com a idade (mais ou menos) de 57 anos de quando foi admitido como contratado.
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-Mas o seu "curriculum vitae" que seguiu, para Lisboa, que deve viver nos arquivos da Secretaria de Estado dos Estrangeiros é uma completa "salsada" que bem merecia ser visto, lido e respigado.
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-Um Alípio Monteiro que é admitido numa missão diplomática sem que prove com um documento qualquer (mesmo antigo que fosse) de que tinha sido funcionário da TAP.
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- Um Monteiro (nascido em S.Tomé) que não vai a Portugal há cerca de 20 anos, nem nele quer ouvir falar...
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-Porque será?
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- Um Monteiro que nunca lhe chegou, correspondência que fosse do exterior (Portugal) à missão, a não ser correspondência local de fornecedores da missão que no endereço o designava de "acounting" da Embaixada.
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Um homem absolutamente estranho, com várias personalidades, pelo facto de nunca se ter relacionado, abertamente, com os colegas que a mim e a outros funcionários, da missão, nos dava certa razão de duvidarmos de sua real procedência.
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Um dos principais motivos do Monteiro, segundo aquilo que disse, o pedir a colocação na embaixada, era pelo facto de se achar muito só, na sua propriedade agrícola (a 150 quilómetros de Banguecoque) e a necessidade de se relacionar com portugueses.
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Mas ainda hoje estou por saber pouco depois de lhe ter ensinado o serviço, uma manhã em tom altivo e agressivo me respondeu a uma pergunta que lhe fiz: "o senhor não me levante a voz!". Como teria sido possível uma resposta, dessas a um funcionário público, que eu era, vinda de um contratado, localmente e a termo certo!
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Entendi, desde logo, que Tadeu Soares lhe tinha conferido poderes como uma forma de me humilhar. É que o Monteiro me tinha informado, antes, ter sido condiscípulo de um irmão do Tadeu Soares, no Colégio dos Carvalhos, nos arredores do Porto. Igualmente percebi que quando o Tadeu chegou a Banguecoque já o Monteiro esperava por ele para penetrar, com toda a divina graça, nos meandros da embaixada.
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Saberia que na missão diplomática de Portugal, poderia movimentar-se com alguma protecção e imunidade, perante as autoridades tailandesas, a viria a consegui-la, de "mão-beijada", pelo embaixador Tadeu Soares. Só com uma amizade, antiga, teria sido possivel, a entrada, na embaixada e com tantos "mimos", concedidos, por Tadeu Soares ao Monteiro.
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Porque teria sido, perguntei a mim vezes sem conta, a razão que um contratado, localmente e sujeito às leis laborais da Tailândia, o chefe de missão, dá o Monteiro, como "officer" (administrativo), ao Protocolo do ministério dos Negócios Estrangeiros da Tailândia...
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Porque teria sido que Tadeu Soares teria concedido esse privilégio (ver parte anterior a esta) a um contratado eventual, com passaporte canadiano?
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-Porque teria sido que embaixador Tadeu Soares, se teria insubordinado aos seus superiores da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros, usando o poder de sua influência requerendo ao Protocolo do ministério dos Negócios Estrangeiros da Tailândia um privilégio de imunidade, diplomática ao Monteiro?
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Porque será que o Monteiro continua a gozar, ainda hoje, essa imunidade, sob a gerência da missão pelo embaixador Faria e Maya?
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Estará a seguir, com fidelidade, as irregularidades dos seus antecessores?
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Talvez sejam as "capelinhas" que em tempo o ministro Luis Amado se referiu, numa entrevista (2008), à imprensa que este tipo de construções existia no Palácio das Necessidades...
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Será que a missão diplomática de Portugal, acreditada há 189 anos no Reino da Tailândia, é uma "loja" de favores ao gosto de quem a dirige e concede privilégios de imunidade a quem não tem direito aos mesmo e demais sem se identificarem (embora se exprimam na língua de Camões) com bilhete de identidade ou passaporte português?
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-Eu como funcionário público do Estado Português nunca tive esse privilégio. Nem o desejei, porque sendo ilegal, não me sentira bem vestido com uma roupagem que não tinha sido o corte, moldado, para mim.
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Nunca me senti bem dentro da ilegalidade ou conseguir bens obtidos ao "calha" e aos trambolhões.
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Nasci com princípios, ganhei a minha vida com os "calos" das mãos.
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Sinto-me orgulhoso que servindo a missão diplomática de Portugal em Banguecoque, por 24 anos, nunca as minhas mãos se sujaram, nunca alinhei nos esquemas que tive de "engolir, ao dar por eles, sapos vivos"; respeitei o poder sem nunca me ter imbecibilizado, arrastar-me e ajoelhar-me a seus pés .
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-Os seis embaixadores que servi muito bem sabem que eu fui isso...!!!
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Ai de mim se tivesse procedido a ilegalidades o de me ter apoderado de "fazenda" que não era minha!
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Seria eu o "bode" a esquartejar (cheguei uma vez a ser e traído) para encobrir as ilegalidades dos outros!
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Porém um dos "servicinhos" que o Alípio Monteiro teve, antes do dia 25 de Abril de 1974, como funcionário da linha aérea nacional, foi o de viajar nos aviões da TAP que faziam a carreira Lisboa Moçambique e andar a ouvir aquilo que os passageiros diziam em relação ao regime de Salazar e depois de Marcelo Caetano.
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O Alípio Monteiro estava inserido no grupo dos "bufos" que a TAP tinha ao seu serviço, para dar conta quem era quem que não acordava com o Governo, com a guerra colonial, para depois, tomar nota do número da cadeira do passageiro, para o fornecer aos serviços administrativos e metido a "ferro e fogo" nos gabinetes da polícia repressiva, do Governo de ditadura, a Direcção Geral de Segurança (DGS), que viria a substituir o nome da famigerada ex- Policia Internacional de Defesa do Estada (PIDE).
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O que acima revelo é a realidade, embora a mim nunca, o Monteiro, mo tivesse dito, mas disse-o à mesa de um restaurante, na proximidade da embaixada, a um funcionário diplomata (que aqui, óbviamente, não designo o nome) que tinha tido este "servicinho" no céus do oceano Atlântico e no de África do Sul, por que a TAP não tinha autorização de voar pelo céu dos territórios africanos que se opunham à colonização de Portugal em cima dos territórios ultramarinos.
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Como na parte anterior (28) o escrevi o embaixador Mello Gouveia possuía uma total obediência à Secretaria de Estado. Não procedia a obras por sua autodeterminação e dava conta a Lisboa de todos os projectos que pretendia levar a efeito.
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Como o faria durante os cerca de sete anos de sua comissão de serviço em Banguecoque. Seguiu, assim, durante os consulados dos embaixadores Castello-Branco e Mesquita de Brito. Com a chegada dos embaixadores Tadeu Soares, Lima Pimentel e de momento Faria e Maya, entrou a administração, financeira, da embaixada ao gosto de cada chefe de missão e dentro da insubordinação, a Lisboa, de cortar e riscar.
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Ora o embaixador Tadeu Soares tinha entregue toda a administração de fundos para o funcionamento da missão e das rendas do "Jardim de Portugal" ao Alípio Monteiro e a seu cargo o mandar executar obras, efectuar avenças, inventar gastos e foi seguindo lapidando fundos do Estado. Chamava os empreiteiros, já feito com eles amizade, ordenava o fazer obras.
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Na altura do satisfazer o pagamento, só teria que preencher os cheques e levá-los aos embaixadores para os assinar. Foram feitas obras na embaixada de preço tão elevado que me deixava incomodado de tal exorbitância cujo estas se fariam com o terço do dinheiro se fossem executadas pelos dois trabalhadores, efectivos, que antes a nissão os teve e admitidos pelo embaixador Mello Gouveia a quem lhe ouvi algumas vezes que os dois tinham "mãos de ouro".
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Cheguei a dar conta de roubos de um contrato com assinaturas falsificadas, ao embaixador Lima Pimentel, mas foi o mesmo que estar a "malhar em ferro frio" o que me dava a entender que ele estava a par de todos os "cambalachos" que o Monteiro engendrava na embaixada.
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Curioso inserir aqui quatro páginas de um ofício, enviado pelo embaixador Mello Gouveia à Secretaia de Estado, datado em 1 de Fevereiro de 1983, no qual, em pormenor, designava as obras que pretendia levar a efeito na missão, cujo seu estado se encontrava em absoluta degradação.
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Tinha sido a herança, deixada pelo embaixador Renato Pinto Soares, em 1981. Mas Renato Pinto Soares, não poderia ter feito nada em favor de melhorias por que as finanças de Portugal seguiam doentes; já não eram recebidas rendas das cinco parcelas do terreno arrendadas e o hotel Royal Orchid Sheraton, embora projectada a sua construção não tinha sido inciada.
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Não tinha arrancado, a obra e por isso ainda não apalavrado, a cedência do largo espaço para fazer face à logísitca da construção onde se situa o "Jardim de Portugal". O chefe de missão cumpriu a sua missão em Banguecoque com os montantes que lhe chegavam de Lisboa e certamente tarde e a más horas.


Cinco mêses de depois de embaixador Mello Gouveia se instalar em
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Banguecoque no ofício número 16, de 1 de Fevereiro de 1983, ao lê-lo vamos encontrar a humildade no pedir e uma certa elegância que bem lhe era característica, embora novo, mas com os princípos da "velha guarda" diplomática.
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Não vou transcrever o conteúdo do ofício na sua totalidade, mas algumas passagens:
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"...Em anexo segue ainda, uma planta elaborada pela empresa que procedeu à instalação eléctrica, onde assinalei os pontos que julgo de interesse mencionar, para facilidade de leitura e compreensão da respectiva documentação fotográfica, e que são:
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1 - gabinete de documentação histórica, biblioteca, aparelhagem de som e luz do gabinete (leitores de cassetes, filmes, slides etc).
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2- gabinete comercial, onde se vai concentrar tudo o que diga respeito às actividades comerciais e de propaganda, mostruários, publicações, etc.
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"Este gabinete destina-se também eventualmente ser utilizado por representantes de firmas portuguesas em viagens de promoção comercial no sudeste asiático. Conforme oportunamente tive a ocasião de informar a Secretaria de Estado, esta é uma forma de estímulo, apoio e assistência aos exportadores portugueses, como é o caso da firma corticeira Amorim que decidiu deslocar para esta região do mundo um seu representante, por largos períodos de tempo' outras empresas já solicitaram o apoio desta Missão Diplomática".
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Menciona embaixador Mello Gouveia uma larga quantidade de pequenas obras, onde se inclui telefones, aparelhos de arcondicionado e solicita que lhe sejam enviados da Secretia de Estado 125.000 mil bates que em dólares na altura seriam cerca de 5000 americanos. Uma ridicularia que hoje seria dispendido, este montante, num pequeno espaço de arrelvamento do jardim da residência
José Martins
P.S. Próximas segue desenvolvidos assuntos relativos ao Jardim de Portugal.