Saturday, June 13, 2009

A LÍNGUA, ESTRANGEIRA, NA DIPLOMACIA

Não é a primeira vez que fico surpreendido ver um embaixador, um diplomata, acreditados num país a prestar declarações, fluentemente, na língua local para onde foi expedido pelo seu Governo para o representar.
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Não me parece que haja um diplomata português, a exprimir-se na língua de um país onde a oficial não é a latina, inglesa ou francesa.. Com isto o embaixador ou os diplomatas (que colaboram com ele), estarão sujeitos a tradutores, funcionários, da missão e seguirem a reboque dos mesmos.
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Nos meus 24 anos ao serviço da Embaixada de Portugal em Banguecoque, não conheci um embaixador ou diplomata que falasse o tailandês. Partiram, depois de terminar a comissão de serviço levaram com eles, na bagagem, meia dúzia de palavras que decoraram. Também não necessitam de mais, dado que só por sorte (os aspirantes a embaixadores) poderão, mais tarde vir a ser acreditados na Tailândia.
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Ora, que pensem os “doutos” do Palácio das Necessidades como o pretendam, mas Portugal, desde há séculos que tem a sua diplomacia e a fonte, principal, de relacionamento, com outros países, nunca tomou este facto a sério da aprendizagem da línguas e criar jovens, aspirantes diplomatas a partir do "viveiro". Poderemos aqui tomar de exemplo, a expansão, pelo mundo, da religião da Igreja do Vaticano, que se tornou uma potência económica, mantida até aos dias hoje, pela formação e vocação de seus representantes, futuros, nos seminários.
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O ser diplomata, desde sempre foi um estatuto almejado pela nobreza portuguesa e pouco interessava que o nobre fosse de cabeça vazia de “miolos” medíocre o que era necessário era que seguisse a carreira diplomática. O sistema foi-se mantendo e penso que hoje mais liberalizado, dado que a nobreza portuguesa entrou na decadência e praticamente falida.
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Mas me parece que depois dos nobres, porque foram perdendo a sua identidade e o peso, antes tido, na sociedade portuguesa, veio o compadrio, endémico, que nunca mais tem cura em Portugal, cujos prejuízos têm sido enormes para a Nação. Muito diplomata, jovem tem sido, despachado pelas Necessidade, para o estrangeiro, sem a preparação devida quer moral ou profissional.
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Foram despachados pelo sistema de rotatividade de percurso da carreira e, pouco importa se o novo diplomata tem conhecimento do “mister”, se conhece o sistema do expediente, de arquivos e do funcionamento de uma missão diplomática e de uma secção consular.
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E com uma formação de carácter de lidar com o pessoal que o serve: "receber os portugueses com afabilidade e não considerá-los cidadãos do terceiro mundo” e claro está os estrangeiros, utentes, ma missão. Esse relacionamento (além de uns três diplomatas) afável nunca o encontrei, mas esquivarem-se de enfrentarem os portugueses “olhos-nos-olhos” e os estrangeiros.
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Isto não foi a primeira, a segunda a terceira e por aí adiante que cartas, com queixas, seguiram expedidas pelo utentes para o Palácio das Necessidades, de terem sido mal recebidos e servidos. Embora as Necessidades perguntem para a missão o que se haja passado e o utente não tem razão nenhuma de se queixar, porque foi tratado bem etc.etc.. O utente/cliente, aqui nunca tem razão e quem a tem é o patrão da loja.
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O assunto arrumado e arquivado sem, por norma, o cliente ser informado ou um pedido, formal, de desculpas pelo mau comportamento do funcionário. Se o incorrecto for um simples “manga de alpaca” aqui a coisa toca fininho, leva com um processo disciplinar em cima do “lombo”, sujeito a despedimento ou seguir para a reforma compulsiva. Quem se lixa é o mexilhão.
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Todas as lérias acima tecladas e, já longas, sem ainda me pronunciar sobre o sentido do conteúdo que passo agora a ele.
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Tenho um amigo, o Adalino Cabral, açoriano dos quatro costado que nasceu pobre, como na altura o eram, quase a totalidade da população açoriana emigrou para os Estados Unidos, com o pai e os irmãos, todos pequeninos, ao encontro da mãe, que tinha nascido, lá de um casal de emigrantes (ver a história do Adalino, escrita pelo seu próprio punho e publicada no website http://www.aquimaria.com/html/forum.html “ A Odisseia Emigrante de Uma Família Açoriana”), enviou-me um e-mail que um luso-descendente, de raízes açorianas, filho de um casal seu amigo,se encontrava na Tailândia, integrado na organização “Peace Corps”, e se o jovem Nicolau poderia entrar em contacto comigo, enviando-me o endereço do seu e-mail.
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Não fazia ideia, na Tailândia, onde o jovem luso-descendente estaria. Entrei em contacto com o jovem e respondeu-me estar na província de Kanchanburi e uns 100 quilómetros da capital, com o mesmo nome. Solicitei-lhe que me enviasse as coordenadas do local exacto de sua base para que me deslocasse lá.
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Respondeu-me que se avistaria comigo em Kanchanaburi. Aconteceu ontem sábado, no dia da celebração de Santo António. Estive com jovem Nicolau ontem a tarde, tomamos uma refeição juntos e conversamos.
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Está na Tailândia há quatro meses, já se exprime fluentemente na língua tailandesa; acolhido numa família, num meio rural e ensina a língua inglesa em várias escola da área. Vai permanecer mais 20 meses na Tailândia e depois regressa aos Estados Unidos.
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Porém os seus objectivos futuros é o seguir a carreira diplomática que não temos dúvida, alguma que seja, com lugar garantido, para as primeiras impressões, na missão diplomática dos Estado Unidos na capital tailandesa.
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Um jovem com 21 anos, tem sonhos e projectos e uma vida longa a percorrer e de sucessos. Assim se formam diplomatas como o ditado: “de pequenino se torce o pepino”.
José Martins (River Kwai)

4 comments:

Rui Belo said...

Desejo boa sorte nos seus objectivos ao descendente de patricios açoreanos.....há poucos anos o Embaixador dos EUA na Tailandia era um ex voluntário do Peace Corps na Tailândia.....Lisboa tem objectivos diferentes na sua politica internacional tais como "o viver no passado".....

José Martins said...

Caro Eng. Rui Belo,
Muito obrigado pelo comentário.

Ai o passado que nunca mais volta para trás...

Se as coisas não mudarem, ns diplomacia portuguesa, no futuro, continuarems a perder os comboios todos!

Bem o jovem luso-descendente, vive com uma família tailandesa; dorme e alimentado por ela (come muito arros e que gosta) e recebe, apenas, do Governo dos Estados Unidos cerca de 7 mil bahts, mensais, que lhe chegam perfeitamente para comprar uns livros.

Ora quando regressar aos Estados Unidos leva com ele uma experiência frutuoso, em cima da vida, tradições tailandesa e certamente as amizades criadas que só contribuirão para bem servir, diplomáticamente, os dois países.

Manuel da Silva said...

Caro amigo José Martins,
Talvez não saiba... mas a revista TABU, publicada com o semanário SOL, refere o seu blog e faz citações de um post recente a propósito do embaixador António Montenegro, que passo a transcrever:
"Outro embaixador português, José Martins, que ocupou o cargo durante 24 anos em Banguecoque, escreve no seu blogue aquitailandia.blogspot.com que também ele acredita que «o embaixador António Montenegro tenha sido vítima da sua inocência e ter-se envolvido com 'ruim gente'...» No entanto, deixa um recado aos colegas de diplomacia:«Que certos diplomatas se compenetrem que a missão deles no estrangeiro não é para dar largas aos prazeres do corpo, mas produzir riqueza e dignidade ao país que representam, cujos impostos dos contribuintes lhe pagam os excelentes ordenados. Os prazeres corporais (cada um é livre) que os pratiquem fora dos muros da missão diplomática»."
Este artigo foi publicado na edição de 5 de junho, com o título «Sexo pouco diplomático», e está assinado pela jornalista Filipa Moroso, referindo no final o e-mail da jornalista: filipa.moroso@sol.pt
Desejo-lhe uma excelente estadia em Kanchanaburi, localidade que visitei numa altura de festas da cidade, que se realizam em princípios de Dezembro.
Cumprimentos,

José Martins said...

Caro Amigo Manuel Silva,

A jornalista, Filipa Moroso, da "Tabu" não se informou bem quanto à minha qualificação...

Não tenho o estatuto de embaixador, só se for de "boa vontade" para os portugueses que visitam a Tailândia.

Não passei de um simples "manga de alpaca" que me iniciei como pintor das paredes do jardim da Residência dos embaixadores, em 1984, como eventual, assalariado e triunfalmente, em 1999, vinculado ao funcionalismo público.

Graças ao Ministro dos Negócios Estrangeiros Jaime Gama que ofereceu dignidade aos humildes assalariados esmagados pela "bota cardada" dos homens que mandam no Palácio das Necessidades"

Não passei de assistente administrativo principal até atingir a reforma em 26 de Janeiro de 2005.

Porém, durante 24 anos na Embaixada de Portugal em Banguecoque enriqueci o meu ser, porque sabia tanto de diplomacia como do funcionamento de um "lagar de azeite".

Servir 6 embaixadores e conhecer 7, foi uma experiência fantástica!

Não conseguir agradar, ao mesmo tempo, a Deus e ao Diabo e foi sobrevivendo, algumas vezes muito mal.

Uns são generosos e compreensiveis, outros (incluo os diplomatas aspirantes a embaixadores) cordeiros com a pele de lobo.

Para terminar, sem pretender maguar os Homens Bons da diplomacia portuguesa, que existem, alguns em vez de serem enviados, para o estrangeiro, deveriam ficar arrumados a um canto,nas Necessidades. porque nas missões diplomáticas são prejudiciais ao país porque, apenas trazem com eles a "cagança" do ser diplomata e não valer um "chavelho".

Se o Palácio das Necessidades não muda o estilo de acção dos diplomatas portugueses no mundo, Portugal não vai a lado nenhum.

Limitam-se os diplomatas seguirem na "rabuda" dos colegas dos países ricos da União Europeia, para esta e outras reuniões onde nelas a voz é dos ricos e a das pobres não produz efeito.

O tempo do Império já se foi e outro será necessário construir do nada e este pertence à diplomacia portuguesa, como caixeiros viajantes oferecendo, no estrangeiro aquilo que ainda temos para vender...

Não importa que sejam as azeitonas ou os pinhões da mata do Pinhal de Leiria.

Vender treta não dá e construir mentiras e a prática de esquemas muito menos.
Abraço
José Martins