Saturday, June 20, 2009

CASOS PASSADOS - MEMÓRIA PRESENTE

" Que me julguem como queiram, os "bons,os maus e os feios", mas na certeza porém sempre caminhei pelos caminhos da verdade e da honestidade sem tropeçar nas pedras da mentira". Custou-me caro, mas sobrevivi à mentira, à desonestidade das palavras e das más obras"
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Factos que aconteceram e ficam esquecidos e perdem-se no tempo. Quem deu azo a esses acontecimentos e com alguma gravidade e prejuizo, para o país que representa, não os relata a quem o deveria por obrigação.
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Banguecoque 1 de Outubro de 1999 a Embaixada da Birmânia (Myanmar) foi sequestrada, liderada por 3 revolucionários, birmanesese, com mais 9, que lutavam contra a Junta Militar e feitos reféns os funcionários e os utentes que á Secção Consular tinham ido tratar de assuntos onde se incluía os visto de entrada no território birmanês.
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A notícia correu célere e, num abrir e fechar de olhos, os jornalistas/correspondentes sediados em Banguecoque, deslocam-se em massa, com a aparelhagem de captar imagens, para a Sathorn Road (localização da embaixada). Pouco depois chegam as “régies” dos canais de televisão locais com os pratos satélites montados no topo das carroçaria. A rua adjacente à embaixada é cortada ao trânsito.
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Na altura era o correspondente da Agência Lusa, para a Tailândia e teria que estar ao corrente de tudo que se passava diariamente na Tailândia. O bichinho da informação estava entranhado em mim e teria que estar a par do que passava na Tailândia. Menos nos países do Sudeste Asiático, dado que existia um protocolo assinado entre a Lusa/Macau e as principais agências noticiosas mundiais, entre estas destacava-se a Agence France Press. Comigo o “password” da AFP, onde todos os dias dava uma vista de olhos ao noticiário, global, metido na linha.
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Em frente à embaixada gerou-se um pandemónio, entre os jornalistas locais e estrangeiros, todos em procura da noticia e enviá-la, em primeira mão, paras as redacções dos jornais. O sistema usual, na altura, era o telefone móvel. E foi com este meio de comunicação que transmiti a notícia, no visual, para o João Roque da Lusa/Macau.
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A peça metida na linha pela Agencia France Press.-Bangkok, 1 de Outubro de 1999
Um grupo de 12 homen armados invadiram a embaixada de Myanmar na baixa de Banguecoque, sexta-feira com os 20 funcionários reféns, a polícia informou, Major-General Jongrak Chutanond, vice-comandante da polícia metropolitana. O ataque foi lançado pouco antes do meio dia (GTM 0500)....
Ora estas informações eram as sabidas por todos nós, os jornalistas, que estávamos na rua. Ouvimos tiros dentro da embaixada e, como por instinto nos atiramos ao solo. Boatos existem muitos, onde se constava que os sequestradores estavam armados até aos dentes,com metralhadoras ligeiras AK-47, granadas e outro material de guerra.
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O chefe da dúzia de homens, que tomaram a missão, era um jovem de nome "Big Johnny", que se exprimia num bom inglês.A peça que interessava ao Johnny, sequestrar, era o embaixador que não se encontrava no seu gabinete de trabalho. O sequestradores pediram comida e foi-lhe satisfeita.
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Ainda foi aventado que certamente a polícia na comida introduziria uma droga para adormecer os sequestradores e sequestrados. Foi montado um aparato policial em frente à embaixada e mandado retirar todos os jornalistas da zona.
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Entre o tempo que durou o sequestro da embaixada, os assaltantes, tomaram conta do arquivo, da embaixada, que guardava o ficheiro onde estavam designados, os nomes dos traficantes de droga, do "Triângulo Dourado", de que eles deveriam estar ligados e obterem receitas.
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Transmiti ao embaixador Tadeu Soares o incidente, não ligou grande importância e respondeu em surdina: “embaixador não estava lá...” (Tadeu Soares, nunca acolheu bem eu ser funcionário e correspondente da Lusa.Eu o ser para ele, com isto, era dado como um conspirador e um “filho-da-mãe” dentro da missão).
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O ministro dos Negócios Estrangeiros da Tailândia, na altura, o Dr. Surin Pitsuwan e o seu vice-Ministro o Príncipe Sukhumband Paribat (hoje o Governador da cidade de Banguecoque), procuram resolver o caso sem derramamento de sangue. Surin Pitsuawn entregou o caso a Sukhumband Paribat e encetou negociações com os rebeldes.
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Os sequestradores, sabendo que não venceriam aquela guerra, com a polícia em frente à missão, exigiram ao vice-ministro Paribat um helicóptero para os retirar dali e que pousasse num largo de uma escola católica nas proximidades da embaixada. Foram informados que não poderia ser pelo reduzido espaço.
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Aventada outra hipótese um largo terreno do quartel-general das forças armadas, a uns dois quilómetros, para norte e oposto ao Parque Lumpini. Foi-lhes oferecido para transporte uma carrinha de passageiros para os retirar da embaixada e levá-los ao parque onde o helicóptero os aguardaria para, depois os deixar junto à fronteira da Birmânia.
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Os sequestradores exigiram que só sairiam da embaixada se com eles estivesse o vice-ministro Paribat. Assim viria acontecer, Paribat ter entrado pelo portão da embaixada, com o motorista da carrinha e sair com 12 terroristas e suas 12 Ak-47, prontas a disparar sobre ele se a polícia viesse a intervir.
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Paribat seguiu com os 12, terroristas, armados num helicóptero e foram deixados em território tailandês e a 400 metros da fronteira birmanesa. Tudo acabou em bem e sem pinga de sangue.
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Assunto ficou esquecido até 24 de Janeiro de 2000. Neste dia, três, cabecilhas, que tinham sequestrado a embaixada em 1 de Outubro de 1999, onde se incluía o chefe Johnny, mais outros 7 rebeldes pertencentes ao “Exército de Deus” da Birmânia que lutavam contra o regime ditatorial imposto pela Junta sequestraram um autocarro, tailandês, junto à fronteira e obrigaram o motorista, a ponta do cano de metralhadora Ak-47, a transportá-los para o Hospital Provincial de Ratchaburi,com centenas de doentes, internados, pessoal médico e outro.
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O grupo depois de tomado o hospital uma das exigências seria que fossem enviados médicos, para o seu quartel-general, rebelde, na Birmânia, tratar dos seus doentes.
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Houveram várias negociações entre a polícia e os rebeldes, sem que nenhuma tivesse sucesso. Ao fim de 22 de horas de terror dentro do hospital, um grupo de comandos do exército tailandês, tomou de assalto o hospital e eliminou, sem causar vítimas, 9 rebeldes. O último na tentativa de escapar, meteu-se debaixo dos cobertores, de uma cama, numa enfermaria disfarçado de doente, descoberto e morto.
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Em Banguecoque as Ong´s principiaram a dar o “lamiré", a explorar o caso do Hospital de Ratchaburi e a considerá-lo um “massacre”. Esqueceram-se que dentro daquele hospital, durante 22 horas existiu o terror entre centenas de doentes.
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O embaixador Tadeu Soares, talvez influenciado, pelas ONG´s ou pelos seus colegas, embaixadores de países da União Europeia reprova o incidente de Ratchaburi.
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Tadeu Soares a partir de 1 Janeira de 2000, estava chefiar a Presidência da União Europeia que pertencia a Portugal até 30 de Junho.Na primeira reunião, levada a cabo na Residência dos Embaixadores, convidou representantes das principais agencias noticiosas, acreditadas na capital tailandesa e na conferência de imprensa que lhes concedeu condenou o Governo da Tailândia e que teria (em termo de obrigação) de fazer um relatório em cima do caso.
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O Ministro dos Negócios Estrangeiros Surin Pitsuwan não apreciou tal imposição de Tadeu Soares, foi chamado ao seu ministério para esclarecer aquilo que tinha dito aos correspondentes.
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Obrigou-o a fazer um desmentido na imprensa: “que aquilo que tinha afirmado não era em nome de Portugal, mas em seu nome pessoal” Assim foi.
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Porém a imprensa continuou a dar relevo ao assunto e várias cartas aos directores de jornais foram publicadas que em nada prestigiavam o nome de Portugal.
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Foi este o segundo caso de divergências que eu conheci entre os embaixadores de Portugal e o ministério dos Negócios Estrangeiros da Tailândia.
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O Primeiro foi em 1994 de quando o carro, oficial, da Embaixada, transportou o Drs.Ramos Horta e Mari Alkatiri, para uma conferência de imprensa, clandestina, junto ao aeroporto internacional de Banguecoque e de quando, essas figuras de Timor-Leste, não era gratas na Tailândia.
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O embaixador de então, Sebastião de Castello-Branco foi chamado ao Ministro dos Estrangeiros da Tailândia e lhe disse: “Senhor Embaixador, peço-lhe que não volte a fazer o mesmo, porque as relações entre Portugal e a Tailândia de quase de 500 anos poderão deteriorar-se".
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Por último, o Ministério dos Negócios Estrangeiros Português, nunca teria tido o conhecimento da amplitude do caso, diplomático, grave, mas apenas (nem esta penso) parte.
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Durante os dois anos e meio que se quedou, em Banguecoque, Tadeu Soares, nunca foi recebido a nível de ministro mas pelo vice-ministro dos Estrangeiros Sukhumband Paribat.
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José Martins

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