Parte 35
Jardim de Portugal-Ilha de Riqueza
Jardim de Portugal-Ilha de Riqueza
Introdução a esta parte: Sei q
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A pessoa que lho tinha emitido, foi constituído como testemunha... O meu nome saiu nos jornais, nos noticiários da RTP, escreveram as maiores disparidades a meu respeito e até, me consideraram diplomata que viria a desmentir, por escrito, aos jornais.
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Fui a julgamento, sem ir a Lisboa e fiquei absolvido porque o juiz não tinha ponta por onde pegar e condenar-me. Comigo tenho cópia do processo que não vou a transcrever porque não dá para perder tempo com isso. Fui constituído arguido e julgado, desde logo, em Banguecoque pelo embaixado
r Castello-Branco que eu o deveria ter informado que o José Beleza residia de quando em quando por três meses em Banguecoque.
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Ora o Castello-Branco, depois de ler e ter feitos cópias de documentos datados em 1964 de quando como encarregado de negócios geriu a embaixada em Banguecoque, verifiquei que era um homem de acusar os outros sem provas formuladas. Interessante aqui transcrever uma parte do ofício que enviou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em 10 de Janeiro de 1964 (nº CD4a
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Proc. 7): “Além do José Ramos esta Secção Consular tem um empregado tailandês. É homem hábil, desembaraçado e inteligente; em uma ou outra ocasião descobri-o não avesso a pequenas desonestidades (como no aconselhar os criados a não gastarem dinheiro com médicos; a irem ao meu, que lhes incluísse a consulta na minha conta); vive muito acima do nível que lhe pudera dar o seu parco vencimento; sustenta duas mulheres, tem automóvel e motocicleta, foi de viagem a Hong Kong, fez compras caras. E por isso sem de modo algum querer levantar suspeitas que não teriam por ora fundamento suficiente – não devo excluir a possibilidade de estar este funcionário também implicado, ou até, quiçá, ser ele o único culpado. E isto só depois de haver a certeza de que os passaportes não são forjados em qualquer outro lugar, pois não há uma hora enviei a Vossa Excelência outro ofício sobre assunto semelhante (of.n.C04) acompanhado de um passaporte falso com a “assinatura” do Cônsul Abranches Pinto...”.
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Castello-Branco refere-se aqui ao Chanceler Chalerm, um funcionário que serviu Portugal por 50 anos na embaixada e nunca se lhe apontou o que fosse em desonestidades. O Chalerm, hoje já um velho, viúvo, vive dos rendimentos (não obtidos por ilegalidades mas por herança) e Portugal não o compensou de nada, depois de 50 anos a servi-lo, além de um pedaço de cobre, que orgulhosamente coloca, na lapela, quando é convidado para estar presente no Dia 10 de Junho.
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Mas as suspeitas inventadas pelo Castello-Branco não lhe fizeram dano algum como aquele que me fez a mim, com a carta que escreveu ao Encarregado de Negócios Jorge de Oliveira Baptista, em 1994 (há 15 anos) que durante 14 anos fui visto, por embaixadores e diplomatas, um “filho da mãe” dentro da Embaixada.
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Nunca cheguei a entender aquilo que se passava à minha volta; as suspeitas que recaiam sobre mim... Mas as humilhações foram mais do que tantas, infringidas por um "badaneco" diplomata, de nome Luis Cunha, que me retira a mim, como funcionário público do Ministério dos Negócios Estrangeiros, os privilégios e os entrega ao Alípio Monteiro, que além de um contratado, a termo certo, nunca se identificou, com a nacionalidade portuguesa.
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Embaixador António de Faria e Maya, a quem lhe fui dando conta daquilo que se estava a passar, por escrito, fez orelhas moucas e seria o herói a deitar-me no caixão, benzer-me com um ramo de oliveira, atirando, em cima do meu cadáver, umas gotas de água benta, colocou a tampa em cima e pregou-lhe o último prego e arrumou, definitivamente, um homem que dedicou parte de sua vida a servir Portugal na Tailândia sem nódoa que manche a sua dignidade.
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Continuando a descrição da gerência de Tadeu Soares de Abril 1999 a Agosto de 2002, foi, esta, de continuados problemas. Um diplomata, arrogante, para os funcionários, para ele eram indesejáveis, onde eu estava incluído e o diplomata Dr. João Brito Câmara, que pela hierarquia era o Encarregado da Secção Consular e esta está completamente entregue ao Nuno Mota Veiga. O Dr, Câmara apenas estava limitado assinar, alguns documentos oficiais e os outros assinados, ilegalmente, pelo Veiga.
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Quando algum utente estrangeiro ia à secção consular, dependendo da cara, sexo ou idade, o Veiga procedia a entrevistas dentro do seu gabinete, imiscuindo-se na sua vida particular, cont
a bancária se de facto estava preparado para visitar Portugal e manter-se por lá.
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O bilhete de avião de ida volta também teria que ser apresentado que garantisse o regresso. Mas quando se tratava de uma jovem rapariga, a entrevista seria mais longa e, seria por certo que à noite estaria a jantar com ela num restaurante de Banguecoque.
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O Veiga empenachado por ter a seu cargo a parte consular estava fortemente apoiado pelo Tadeu Soares. Metia-se com todos os funcionários inclusivamente com o motorista do embaixador. O Monteiro o segundo “ponta de lança” lá seguia na administração dos bens do Estado português, compra, manda aplicar, emite os cheques para pagar as obras que Tadeu Soares assina sem fazer qualquer objecção.
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Todos os funcionários sejam tailandeses ou os poucos portugueses sabem das manobras do Monteiro e apenas sussurram, entre eles e nada há a fazer, porque está bem protegido pelo chefe de missão.
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Como antes foi escrito Tadeu Soares, com chegada a Banguecoque, parece que não há mais nada a fazer na embaixada a não ser obras. A primeira é o esventramento do terreno do jardim da residência, a construção do acrescento na altura e a fortificação do muro que divide o rio Chão Pryá com terreno, que uns meses antes o Serviço Hidráulico do Governo da Tailândia (consulado de Mesquita de Brito), gratuitamente as fendas, debaixo de água, tinham sido injectadas com cimento para suster a infiltração de água do rio no terreno do jardim da residência dos embaixadores. Aquela desventração teria que ser efectuada porque seria para impressionar.
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Nunca Tadeu Soares, sabendo que tinha sido eu que tinha olhado pelo controlo das águas durante as cheias do rio, me pediu qualquer informação. Depois desta inútil obra à outras a prosseguir: destelhar a chancelaria, e colocar-lhe travessas de ferro U; chapas de alumínio que contribuiu para mais peso em cima de um edifico centenário de parcos alicerces cujas travessas que suportavam o cobertura começaram a ceder e por sorte não aconteceu uma tragédia.
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A residência dos embaixadores também é necessário fazer-lhe obras e dramatizar, para Lisboa, o estado miserável em que a mesma se encontra, para que lhe mandem fundos.
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E mandavam-lhe, todos, aqueles que pedia!
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Incrível e interrogava-me muitas vezes, porque seria que mandavam todo o dinheiro de Lisboa, sem contenções se antes e nas gerências de outros embaixadores se economizava o mais que se pudia onde se incluía o papel.
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Mas dentro de Tadeu Soares estava o construir um nova chancelaria e mudar o estilo o antigo que tinha sido mandada construír pelo embaixador Mello Gouveia, modificada em vários quartos pelo embaixador Castello-Branco. Na gerência de Tadeu Soares, a e
conomia de Portugal vivia dentro de balões de oxigénio, havia, aparentemente, uma riqueza falsa.
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Tadeu Soares, para que lhe mandem dinheiro, terá que apoiar-se na Presidência Portuguesa da União Europeia, no primeiro semestre de 2000 e na visita do Presidente da República Jorge Sampaio em fins de Dezembro de 1999.
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Jorge Sampaio, de facto veio à embaixada, não subiu à residência, limitou-se a uma meia dúzia de palavras na arcada, levantou a taça de champagne e foi para o hotel Oriental.
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O caso de Timor era também um motivo, embora de menor importância, mas também lhe servia para pedir dinheiro ao ministério para as ONG´s .
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Chegaram numa altura uns 10 mil contos, de Lisboa, e de quando Portugal já não tinha nada a ver com Timor, dado estar sob a jurisdição e apoio das Nações Unidas e este montante foi direito para a conta bancária de uma ONG, sediada em Banguecoque.
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Há agora o projecto para modernizar a chancelaria e chegam de Lisboa dois arquitectos e uma senhora do Ministério dos Negócios Estrangeiros, hospedam-se no Hotel Royal Orchid, por uns dias, trazem com eles uma fita métrica, medem o interior e o exterior da chancelaria, trabalho feito e partem para Lisboa.
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Passado uns tempos chega a planta da nova chancelaria e agora há que entregar a obra ao empreiteiro para a executar. O contrato desta obra foi a maior “trampolineirice” que eu observei a Tadeu Soares. A obra é entregue a empresa portuguesa “Abrantina” e depois esta entrega-a a uma empresa construtora tailandesa. Entretanto a obra não viria a ser efectuada no tempo de sua gerência mas de Lima Pimentel.
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A empresa Abrantina, nunca esteve estabelecida na Tailândia e apenas se encontrou ficticiamente, representada, por um indivíduo de nome Correia da Silva, como promotor que passou o seu tempo (homem de mais de 50 anos) em Banguecoque a namorar pobres raparigas, a fazer-lhe filhos que mais tarde as abandonava. Partiu de Banguecoque, para Macau, reside por lá sem modo de vida e a viver encostado a umas raparigas.
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Mas a Abrantina tinha um escritório na Malásia, com dois funcionários que periodicamente vinham a Banguecoque e à embaixada apresentar cumprimentos ao embaixador de Portugal.
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A Abrantina, como acima informei nunca fez obra nenhuma na Tailândia, além de uma experiência de limpeza de um pequeno canal, de Banguecoque que envolve quatro ruas.
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De Lisboa chegou da Abrantina o engenheiro Albuquerque, viveu uns seis meses em Banguecoque, um homem de carácter e informou-me, pessoalmente, que regressava a Portugal porque não conseguiu obra nenhuma na Tailândia.
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Um
dos funcionários da Abrantina (penso não ser engenheiro), residente na Malásia, visitou várias vezes a embaixada e travou conhecimento com Tadeu Soares e por algumas vezes o levava para a residência. Ora entre os dois forjava-se o contrato para as obras da chancelaria.
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Expedidos telegramas para Lisboa a dar conta que o contrato apresentado pela Abrantina era o mais viável e demais era um empresa portuguesa.
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A Abrantina, não tinha sequer, em Banguecoque, uma “colher” para colocar argamassa numa parede; pessoal ou maquinaria para levar a cabo a obra. Lisboa concordou que a Abrantina realizasse a obra até porque daria a preferência a uma empresa portuguesa, que julgava estabelecida na Tailândia, o que era uma pura "aldrabice".
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Mas aquilo era tudo um jogo, que não se descura interesses ocultos, que não posso saber os que foram beneficiados. O certo foi que depois de a obra ter sido adjudicada por cerca de um milhão de dólares (não se incluem as habituais derrapagens) à Abrantina, foi entregue, depois, a obra a uma empresa tailandesa de nome “Times”.
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O funcionário da Abrantina da Malásia, partiu, nunca mais foi visto na embaixada e não sei que negociata teria havido entre o Tadeu e ele.
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A obra seria depois iniciada na gerência de Lima Pimentel e já o Alípio Monteiro com fortes ligações com a empresa Times em que esta dá o Monteiro, como pessoa importante, na Embaixada.
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Quando chegou a ordem de Lisboa para iniciar a obra, já depois de Lima Pimentel ter assumido a gerência, quase em delírio, o Monteiro pelo telefone móvel comunicava à empresa "Times" em inglês que traduzo para português: "venham,venham depressa porque a ordem de iniciar a obra já chegou de Lisboa".
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Não tardou que três automóveis "topo de gama" chegassem ao parque de estacionamento da chancelaria e deles saissem uns seis indivíduos que acompanhados do Monteiro se dirigiram para a residência para conferenciar com embaixador Lima Pimentel, que nada sabia aquilo, que por detrás tinha sido forjado com a cumplicidade do Alipio Monteiro.
Continuaremos mais adiante em cima do mesmo tema.
Continuaremos mais adiante em cima do mesmo tema.
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Jardim de Portugal
Como já referido deixei de ter acesso aos documentos referentes ao montante das rendas, dada que eu estava sob suspeitas de ter metido o nariz no assunto do Jardim de Portugal e de que forma que fosse os embaixadores pretendiam que eu tivesse conhecimento para onde os dinheiros seguiam.
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Mas pela carta que Tadeu Soares enviou ao Sr. Adisorn, Director da empresa arrendatária e publicada na parte anterior a esta, apenas prevejo que Tadeu Soares, recebeu nos anos: 1999,2000, 2001 e parte do 2002, o montante de 336 mil dólares, fora a parte para o pagamento ao guarda do portão e ao trabalhador que limpa ao redor da chancelaria.
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Agora não sei onde Tadeu Soares aplicou esse aavultado montante se o andou a distribuit por amigos, a gastá-lo em viagens acompanhado pelo Nuno Mota Veiga a Sri Lanka por duas semanas; à Birmânia, a Singapura, ou dávidas para insituições de caridade.
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O livro do cheques das rendas estava já de posse do Monteiro e todos os recibos que este apresentava ao Tadeu lhe eram assinados. Ora tudo isto e continuou a seguir por outros chefes de missão deixa-me muitas dúvidas qual o destino para onde esses avultados montantes têm seguido desde há 21 anos.
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Como já referido, em partes anteriores, só o embaixador Mello Gouveia deu conta do gastos à Secretaria de Estado e chegou a pedir autorização para retirar, importâncias, da verba das rendas do Jardim de Portugal.
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É que a documentação foi colocada fora do meu alcance...
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Eu fui a pessoa tratou dos arquivos e do expediente da Missão e este, do Jardim de Portugal, foi colocado fora de minha vista...
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Porque teria sido?
José Martins
José Martins
Continua
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