Parte 32ª
Jardim de Portugal - Ilha de Riqueza
-
-
Introdução: Ainda não será nesta parte que vai ser intr
oduzida matéria sobre os rendimentos e os montantes que foram recebidos, de uma parcela arrendada, a um hotel de luxo, pertencente ao Estado Português e doada pela régia vontade de S.Majestade o Rei Rama II, do Reino do Sião à Coroa Real Portuguesa em 1820.
-
Aos interessados na história, peço uma vista de olhos às partes anteriores a esta e seguidas desde o número um. Como anteriormente o referi muito há que contar e de forma alguma a história pode ficar ignorada e terá que ser do conhecimento do público.
-
Que se entenda que ninguém, por sua autodeterminação, é dono e senhor de propriedades do Estado Português, sejam estas localizadas em Portugal ou no estrangeiro.
-
Os rendimentos, da parcela mencionada, têm rendido centenas de milhares de euros e, destes, não tem sido dado conta à Secretaria de Estado dos Estrangeiros, em Lisboa, desde 1988, por cinco embaixadores que têm gerido a missão diplomática de Portugal no Reino da Tailândia.
-
Durante 21 anos, a rotina existiu: Um embaixador terminou a sua comissão de serviço, fechou a porta; deixou o "canhão" do livro de cheques, apenso a um memorando dando conta como os rendimentos têm sido processados, fechados numa gaveta e o seu sucessor que governe como a melhor forma que entender.
-
Com isto a Embaixada de Portugal em Banguecoque tem sido um estado dentro do Estado Português. Evidentemente que eu sei que a classe diplomática portuguesa é privilegiada e composta por pessoas de idoneidade, onde acima de tudo deveria existir, interiormente, a honestidade (há gente boa e esta está fora de causa) e por fora a decoração da figura, corporal, vestida de bom pano.
-
Um homem como eu que viveu 24 anos nos meandros da diplomacia, seria um medíocre, se não entendesse a diplomacia. Sei perfeitamente quais os deveres e as obrigações de um chefe de missão, de outros diplomatas, do pessoal administrativo e do eventual.
-
Li, vezes sem conta, o "Manual Diplomático - Direito diplomático - Prática Diplomática" do embaixador José Calvet de Magalhães, a fonte onde todos os diplomatas vão beber.
-
Evidentemente que eu entrei para a Embaixada de Portugal em Banguecoque, com a licenciatura da 4ª Classe da Instrução Primária; iniciei-me, nela, a pintar os muros que envolvem o jardim da residência, durante 27 dias em 1984; viria a ser olhado pelo lado “vesgo”, por certos chefes de missão e outros diplomatas.
-
Fui-me aperfeiçoa
ndo, no correr dos anos, sempre com o meu pensamento ligado, a tempo inteiro, à missão e consciente das minhas obrigações, para com os chefes e respeito pelos que me rodeavam.
-
Não me vou considerar vítima, nem atirar pedras aos que me fizeram mal, sem eu nunca os ter prejudicado, provocado dano moral ou material.
-
De todas as formas a minha voz não pode ser calada, mesmo que tudo que revelo fique em "águas de bacalhau" e a quem de direito, lhe passe despercebido, ou me contactem para outras explicações além das que tenho revelado.
-
Quando em Portugal, tantos e mais casos de corrupção (falsos ou verdadeiros) são trazidos à praça pública e jamais terminados, ou o público (com o direito de saber) seja devidamente elucidado; não me parece que a "corrupção" praticada há vários anos, na Embaixada de Portugal em Banguecoque seja matéria de interesse para a Justiça portuguesa.
-
Vinte e um anos são demasiados, é certo, mas os envolvidos ainda vivem. Alguns portugueses, aqueles que durante séculos, foram enviados para o estrangeiro para representarem a nação, não levaram na bagagem a honestidade para a servir.
-
Mas a vaidade do estatuto e colher avantajados frutos e regressar ao país com extras cabedais que pouco lhes importava se foram ou não granjeados dentro ou fora da legalidade.
-
Foi assim, desde 1500 e de quando os portugueses começaram a expandir-se desde Goa, Sudeste Asiático, Índias Orientais e ao Japão.
-
Já tarde, comecei a entender e, quando, me aprofundei na história dos descobrimentos que o sistema passou de pais para filhos, netos, bisnetos e ramificou-se a outras classes, que serviram o Portugal, até à “ralé”.
-
Porém quando a ralé denunciava as ilegalidades, seria esta a pagar as “favas” e objecto de encobrimento da
desonestidade dos seus superiores.
-
A mim me fizeram o mesmo, tentaram um “complot” (quando comecei a denunciar factos) tecnicamente com alguma imaginação, onde o “medo” a injectar-me era de primordial importância, na fabricação do esquema, estiveram envolvidas quatro pessoas: “a senhora do alto, aterrorizada; um “cavalheiro”, chico esperto e oportunista; um académico (acredito ter sido enganado pelos dois “cérebros mentores”) e, por último, usado, como “pombo correio” um inocente, cá de baixo, funcionário"
-
-
Fomos assim na Ásia e no Oriente. Agora já tarde para reparar o erradio, porque a presença portuguesa na Ásia esfumou-se e já não há mais propriedades para sugar os rendimentos, especiarias, pedraria e outro muito que por cá havia a não ser o Jardim de Portugal.
-
Até esta parcela que muito nos honrou foi doada pelo Rei do Sião, para que Portugal fosse o elo de ligação entre este reino e os países da Europa.
-
Não foi assim o procedido e dia por dia, a Missão Diplomática de Portugal na Tailândia, vai morrendo aos poucos. Aquela pujança de vida, por anos, que lhe foi conhecida, tomou-lhe o lugar a indolência, fabrica-se a mentira e impinge-se como verdade.
-
O umbigo dos homens está em primeiro lugar; os interesses do Estado Português em segundo.
-
Em fim tem sido desta forma que os homens a têm gerido.
-
Pouco lhes importa que a deixem nas "lonas", baterem com a porta e ir "pregar" para outro púlpito.
-
Contra a força não há resistência, ter que olhar tudo com a santa paciência.
-
-
CONTINUAÇÃO DA GERÊNCIA DO EMBAIXADOR TADEU SOARES
-
-
Como na outra parte me referi, embaixador Tadeu Soares, pretende modificar não só todo o pessoal e criar um novo modelo de gerência. Desde logo me apercebi que o diplomata não estava à altura de gerir a missão de diplomática de Portugal na Tailândia.
-
Com ele e de Nova Iorque trazia pouco mais que a averbação de poder de que não estava à altura de o gerir. Não foi chefe de posto que desejasse ouvir palavras, dos funcionários que já há muitos anos prestavam serviço na embaixada. Qu
er ele tudo levar acabo, só, sem para tal não estar preparado.
-
São os arquivos da embaixada, sem ainda estarem mortos que deveriam ser enviados para os arquivos da Secretaria de Estado e foram.
-
O pouco respeito que tem pelas pessoas, funcionários do Estado português, que as substituiu, tirando-lhes o estaturo hierárquico e coloca no lugar outros aventureiras que não se sabe da sua procedência. Foi o saltar por cima da Lei e ele, em Banguecoque, é dono e senhor dela.
-
Esmaga, sem critério algum e respeito, o seu predecessor embaixador Mesquita de Brito.
-
Inventa que a embaixada está uma “desgraçada” em completa ruína; cria amizades duvidosas, que lhe instalam um sistema de vigilância, nas pontas do muro ao fundo do Jardim, junto ao rio Chao Prya que quase nunca funcionou e custou os olhos da cara ao contribuinte; mandou instalar uma quantidade de computadores, obsoletos, na chancelaria a uma empresa, propriedade de um austríaco, que viria a fugir de Banguecoque por actividades duvidosas.
-
Custou essa montagem, informática, cerca de um milhão de bates (40.000 USA dólares), pela montagem de computadores, piratas, cujas peças foram adquiridas no centro de venda deste material, avulso, em Banguecoque e conhecido por “Pantipá Plaza”, quando o valor desse material seria menos que um terço despendido.
-
Computadores que nunca funcionaram, e para isso o Alípio Monteiro contratou um indivíduo (dos países do Leste da Europa) que todos os dias passava horas e horas, na chancelaria, a consertar os programas (que não os reparava, nem sabia) ao preço (diziam-me) de 100 dólares a hora.
-
Pois nunca tive acesso ao arquivo das contas, fechado e bem guardado pelo Monteiro, para que eu "não desse à língua" da falcatrua da reparação dos programas dos computadores, ainda sem, estes, estar ligados à Internet.
-
No que me estava distribuído nunca o "pássaro" lhe tocou e funciou, a teclar telegramas, até ser substituído por outro que chegou da Secretaria de Estado.
-
Pouco depois do Alípio Monteiro de ser admitido há outro aventureiro que foi admitido, um tal Nuno Mota Veiga que se dizia arquitecto sem nunca lhe ter visto fazer um risco na prancha.
-
Tadeu Soares pouco depois de chegar a Banguecoque, principia a criar obras e para estas é preciso dramatizar o estado em que veio encontrar a “desgraçada” da Residência dos Embaixadores.
-
Fotografou dezenas de lugares e dirigiu as lente para o lugar que melhor lhe convinha, porque seria uma forma de ir impressionar os seus superiores no Palácio das Necessidades.
-
Em 30 de Abril de de 1999, sem ainda ter aquecido o assento da cadeira do seu gabinete, envia para a Secretaria de Estado dos Estrangeiros a seguinte comunicação:
-
-
"
“É-me difícil descrever ou dar uma imagem do estado de profunda degradação em que se encontram a Residência e Chancelaria da Embaixada de Portugal em Bangkok.
-
-
Estas palavras poderá afigurar-se excessivas mas apontamentos que envio em anexo, e que deverá ser estudado com dossier de várias dezenas de fotografias que seguirão hoje por via aérea, melhor permitirão aos Serviços avaliar estado lamentável se encontra uma das supostas melhores Embaixadas do Estado.
-
-
Apontamento anexo enumera de forma tão objectiva quanto possível trabalhos urgentes a empreender e que para facilidade resposta dos Serviços dividi em dois sectores:
-
-
De-Decoração – a tarefa que se depara e tão vasta, as carências de tal ordem (bastaria dizer que não existe um único tapete, um um único quadro, um simples par de castiçais.
-
Não existem cortinados em várias salas num um único móvel de boa qualidade ( e exceptuamos 4 mesas redondas e uma longa feiíssima mesa de jantar com 18 cadeiras); não há candeeiros de tecto aproveitáveis e os de pé tem sem excepção os “abat jours” rasgados ou manchados; os 2 grupos de sofás são dos anos 80,etc,etc etc)
-
-
As carências são tais; repito se impões vinda decorador essa Secretaria de Estado.
-
-
Valor histórico do edifício e suas imensas potencialidades não devem ser abandonados nem deixados aos caprichos diversos Embaixadores.
-
-
Permito-me sugerir vinda urgente Bangkok Senhora Sofia Saldanha que
não conheço mas cujo trabalho realizado Embaixada Tel Aviv e Viena tenho ouvido elogiar.
-
-
Devo insistir que nas presentes condições residência não permite qualquer vida social.
-
-
Re
cordo que em Dezembro deverá vir Tailândia Sexa Presidente da República e que em Janeiro se inicia Presidência UE.
-
-
Apontamento será em breve seguido sectoriais sobre diversos aspectos recheio cujo inventário estou tentar actualizar dado o existente não ter tocado desde partida Embaixador Castello-Branco.
A)Tadeu Soares
A)Tadeu Soares
-
À margem: Esta comunicação é deveras aterradora!
-
Tadeu Soares quando enviou a comunicação, transcrita acima, para a Secretaria de Estado, tinha apenas quatro dias de gerência da missão.
-
Tinha assumido funções no dia 26 de Abril de 1999 .
-
A residência tinha dignidade e recebeu várias individualidades nacionais e estrangeiras, entre elas, das portuguesas, o Governador Rocha Vieira de Macau; o Ministro das Finanças Sousa Franco e outras que não vale a pena designar.
-
A comunicação à Secretaria de Estado de 30 de Abril não é mais nem menos para atingir objectivos e impressionar e o pouco respeito para com o seu predecessor o embaixador Mesquita de Brito.
-
A comunicação seguiu Lisboa, via fax em 30.04.1999 às 15:27 hora de Banguecoque, dactilografada e expedida por mim.
-
Nela há prosa impressiva e maliciosa e só eu a poderei avaliar, de forma correcta, porque estava ao serviço da embaixada havia 15 anos.
-
É falso dizer que não havia um único quadro. A residência tinha as paredes bem revestidas deles. A até as molduras de seis embaixadores, seus predecessores, que estavam no correr da subida da escada principal da residência, retirou-os logo que aqui chegou.
-
Um dia perguntei-lhe: "Senhor Embaixador retirou os quadros daqui? Respondendo isso é lixo! Tinham sido arrumados para um armazém de arrumações aqueles e outros!
-
Embalei, tempos depois, esses quadros, para os conservar, que tinham sido pintados, por artista francês, que passou por Banguecoque e encomendados pelo embaixador Mesquita de Brito.
-
Hoje essas obras estão no salão da chancelaria, onde está o retrato dele exposto e fui eu que o mandei pintar, juntamente com o do embaixador Lima Pimentel, a um artista de Banguecoque, pelo preço, os dois, de 100 dólares.
José Martins
Continua
Continua
3 comments:
Bom trabalho, 5 estrelas...
cumprimentos de Ponta Delgada
Muito obrigado pelo elogio
Post a Comment