Thursday, January 25, 2007

DOIS SENHORES EMBAIXADORES E O JORNALISTA POLÍBIO BRAGA


Mão amiga fez chegar-nos um e-mail com uma crítica/acusatória e virulenta, a Portugal escrita pelo jornalista brasileiro, Sr. Políbio Braga que publicou na internet e no portal:
Eis a peça do Sr. Políbio Braga:


"Portugal não merece ser visitado e os portugueses não merecem nosso reconhecimento.Há apenas uma semana, em apenas quatro anos, o editor desta página visitou pela quinta vez Lisboa,arrependeu-se pela quarta vez de ter feito isto. Portugal não merece ser visitado e os portugueses não merecem o nosso reconhecimento.
É como visitar a casa de um parente malquisto, invejoso e mal educado. Na sexta e no sábado, dia 24 e 25, submergiu diante de um dilúvio e mais uma vez mostrou suas mazelas. O País real ficou diante de todos. Portugal é bonito por fora e podre por dentro. O dinheiro que a União Europeia alcançou generosamente para que os portugueses saissem do buraco e alcançassem seus sócios, foi desperdiçado em obras desnecessárias ou suntuosas. Hoje, existe obra demais e dinheiro de menos.
O pior de tudo é que foi essa gente que descobriu e colonizou o Brasil. É impossível saber se o pior para os brasileiros foi a herança maldita portuguesa ou a herança maldita católica. Talvez as duas".
Nota pessoal do autor deste blogue: Caro Sr. Políbio, não o conhecemos,mas como meio jornalista que somos aconselhamo-lo que quando escrever algo não beba, demasiadamente, deliciosas "caipirinhas" para evitar de receber respostas, idêntica abaixo descrita, e pela pena do Senhor Embaixador de Portugal no Brasil, Seixas da Costa.
Acreditamos que o Sr. Políbio só "caipirinhado" poderia ter escrito "porcaria" em relação ao país, pai da maravilhosa nação onde foi "parido" e até pela graça de Nosso Senhor lhe legou a língua que se exprime. Por último: Sr. Políbio não ofenda a sua língua! Gostaríamos de o conhecer e se fosse um colega "porreirinho" e se porventura tal acontecesse nos encontramos o convidaria para bebermos uns copos de moscatel, assim meu caro Sr. Políbio só lhe ofereceria um almude de fel!
A Nota mereceu a seguinte resposta do Embaixador de Portugal no Brasil:

Brasília, 8 de Dezembro de 2006
Senhor Políbio Braga,
Um cidadão brasileiro, que faz o favor de ser meu amigo, teve a gentileza de me dar a conhecer uma nota que publicou no seu site, na qual comentava aspectos relativos à sua mais recente visita a Portugal.Trata-se de um texto muito interessante, pelo facto de nele ter a apreciável franqueza de afirmar, com todas as letras, o que pensa de Portugal e dos portugueses. O modo elegante como o faz confere-lhe, aliás, uma singular dignidade literária e até estilística. Mas porque se limita apenas a uma abordagem em linhas muito breves, embora densas e ricas de pensamento, tenho que confessar-lhe que o seu texto fica-nos a saber a pouco. Seria muito curioso se pudesse vir a aprofundar, com maior detalhe, ess sua aberta acrimónia selectiva contra nós. Por isso lhe pergunto: não tem intenção de nos brindar com um artigo mais longo, do género de ensaio didáctico, ondae possa dar-se ao cuidado de explanar, com minúcia e profundidade, sobre o que entende ser a listagem de todas as nossa perfídias históricas, das nossas invejazinhas enraizadas, dos inumeráveis defeitos que a sua considerável experiência com a trista realidade lusa lhe deu oportunidade de decantar? Seria um texto onde, por exemplo, poderia deter-se numa temática que, como sabe, é comum a uma conhecida escola de pensamento, que julgo também partilhar: a de que nos caberá, pela imensidão dos tempos, a inapelável culpa histórica no que toca aos resquícios de corrupção, aos vícios de compadrio e nepotismo (veja-se, desde logo, a última parte da Carta de Pêro Vaz de Caminha), que aqui foram instilados, qual vírus crónico, nem os cerca de dois séculos, que se sucederam ao regresso da maléfica Corte à fonte geográfica de todos os males, conseguiram ainda erradicar por completo.
Permita-me, contudo, uma perplexidade: porqê essa insistência e obcecação em visitar um país que tanto lhe desagrada? Pela quinta vez, num espaço de quatro anos? Terá que reconhecer que parece haver algo de inexoravelmente masoquista nessa sua insistente peregrinação pela terra de um "parente malquisto", invejoso e mal edudao". Ainda pensei que pudesse ser Fé em Nossa Senhora de Fátima o motivo sentimental dessa rotina, como sabe comum a muitos cidadãos brasileiros, mas afinal do seu texto, ao referir-se à "herança maldita católica", afasta tal hipótese e remete-o para outras eventuais devoções alternativas. Gostava que soubesse que reconheco e aceito, em absoluto, o seu pleníssimo direito de pensar tão mal de nós, de rejeitar a "herança maldita portuguesa" (na qual, por acaso, se inscreve na Língua que utiliza). Com isso, pode crer, ajuda muito um país, que aliás concede ser "bonito por fora" (valha-nos isso!), a ter a oportunidade de olhar severamente para dentro de si próprio, através da arguta perspectiva crítica de um visitante crónico, quiçá relutante.
E porque razão lhe reconheço esse direito? Porque, de forma egoista, eu também quero usufruir da possibilidade de viajar, cada vez mais, pelo maravilhoso país que é o Brasil, de admirar esta terra, as suas gentes, na sua diversidade e na riqueza da sua cultura (de múltiplas origens, eu sei). Só que, ao contrário de si, eu tenho a sorte de gostar de andar por onde ando e você tem o lamentável azar de se passear com insistência (vá-se lá saber porquê!), pela triste terra dessa "gente que descobriu e colonizou o Brasil". Em má hora, claro!
Da próxima vez que se deslocar a Portugal (porque já vi que é um vício de que não se liberta) espero que possa usufruir de um tempo melhor, sem chuvas e sem um "dilúvio" como o que agora tanto o afectou. E, se acaso se constipou ou engripou com o clima, uma coisa quero desejar-lhe, com a maior sinceridade: cure-se!
Com a retribuída cordialidade do
Francisco Seixas da Costa
Embaixador de Portugal no Brasil
A propósito da infeliz peça, escrita pelo Sr. Políbio Braga (que só "embriagado" a poderia ter escrito), acima inserida e, sabemos, ter corrido o Mundo Lusófono, veio à nossa lembrança o termos conhecido em Banguecoque, em 2001, o Embaixador Geraldo Affonso Muzzi, na altura acreditado Embaixador do Brasil na Malásia.
Embaixador Muzzi levou a cabo um estudo de investigação, editada num livro em língua inglesa: "The Portuguese in Malay Land - A Glossary of Portuguese Words in the Malay Language". O Senhor Embaixador do Brasil produziu um trabalho profundo em cima da língua portuguesa (que é como a minha a dele) e as palavras que ficaram no vocabulário da Malásia (mais de mil!). O Senhor Embaixador Muzzi refere-se a outros tópicos e relacionados com a presença, histórica, portuguesa nos territórios: indonésio, malaio e tailandês entre os vários:
"Ancient History: I - Fu-nan,Kedah, Langkasuka, Golden Chersonese, Malacca; II - Portugese Sea Power in Asia; III - Portuguese Conquest of Malacca; IV Dutch Malacca a Prospensity for Survival; VI - The War Years and Independence the Resilience of the Community; VII - The Portuguese in Indonesia and Siam; VIII - The Heritage and the Glossary of Portuguese Words in the Malay Language".
Sentimo-nos honrados pelo facto de o Senhor Embaixador Muzzi, na sua obra, ter inserido parte de informação nossa e relacionada com a Residência dos Embaixadores de Portugal, em Banguecoque, na Tailândia que escrevi e publiquei no site: http://www.portugal-linha.pt/legado/voriente/psiao.html .
Quando terminou a sua comissão de serviço em Kuala Lumpur e no regresso ao Brasil o Senhor Embaixador Muzzi passou,propositadamente, por Banguecoque para se despedir de nós e oferecer-nos uma meia dúzia de livros da sua relevante obra e a recomendação: "se pretendessemos mais para os solicitarmos à Embaixada do Brasil em Kuala-Lumpur".
Era visível o orgulho e alegria que o Senhor Embaixador Muzzi, demonstrou, quando nos ofereceu a sua magnífica obra.Parecia-nos um Pai que levantava, orgulhosamente, um filho, acabado de nascer e o mostrava. Ou melhor: "quem faz um filho fá-lo por gosto"!
Dois Homens que se confessam e comungam o mesmo amor às duas Pátrias irmãs.
Eles são Embaixadores do Brasil e de Portugal.
Que além de amarem as Nações que servem são também irmãos de língua.
José Martins - 25 de Janeiro de 2007
P.S. Quem semeia ventos aguenta com tormentas!


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